Uma das minhas grandes paixões é a leitura. Mesmo anos antes de aprender a ler, o meu brinquedo favorito (ou único, até), eram livros. Passava horas a fingir que sabia ler as palavras, inventando histórias com as imagens que via. A minha mãe conta-me que as pessoas pensavam que eu já sabia ler, tal era a minha convicção com que declamava as minhas histórias.
Nestes últimos tempos tenho investido em ler livros em inglês, o que não é nada fácil mesmo quando o teu inglês é mais avançado. É mais difícil estares concentrada e não passar frases à frente, há sempre palavras que não conheces e tens de parar para ir ver o significado ou passas à frente rezando que não seja importante para a história.
No entanto, este livro que vos vou falar hoje foi dos mais fáceis que li até hoje em inglês, razão pela qual li em dois dias durante a minha viagem para o trabalho e de volta para casa no comboio (que demora cerca de 35 minutos).
Terças com Morrie foi recomendado por uma colega de trabalho que me disse que tinha sido um dos livros mais triste que ela já leu na vida, e que se fartou de chorar. Eu que tenho uma queda para ler coisas mais triste porque são (ironicamente) as mais bonitas (os humanos adoram desgraça), fui logo comprar.
Apesar de estar sempre à espera de começar a chorar por causa da minha colega, li o livro inteiro sem chorar, mas foi daqueles livros que me tocou na alma. Se na última Terça eu não tivesse apertada contra três pessoas no comboio, talvez tivesse deitado aquela lágrima.
Pois bem a história é sobre um rapaz jornalista (não é sempre?) que teve um professor muito especial na universidade com quem se tornou amigo. Quando terminou o curso, prometeu manter o contacto com o seu querido mentor, mas life happens e passaram mais de 15 anos. Até que Mitch vê o seu professor Morrie na televisão, numa reportagem sobre a sua doença ( Esclerose Lateral Amiotrófica) que o vai matar. A partir daí, Mitch tenta recuperar o tempo perdido ao encontrar-se com Morrie todas as Terças-feiras, tal como faziam durante os tempos de faculdade.
Durante várias Terças-feiras os dois homens encontram-se em casa de Morrie, e nós vamos assistindo à sua degradação perante esta doença ao mesmo tempo que vemos Morrie cada vez mais tranquilo face ao seu destino.
Morrie e uma inspiração e estas Terças são uma lição para todos nós. Morrie diz-nos para aproveitarmos a vida, aceitando a sua enfermidade, aceitando que o tempo dele ser jovem e saudável já passou. Ele aceita que vai morrer e está em paz com isso. Ele relembra Mitch que a vida não pode ser só trabalho, que não vale a pena vivermos pegados a coisas ou com rancor para com os outros. Porque na hora da nossa morte, o que restam são as memórias, os bons momentos e as pessoas que amamos. Ele relembra-nos da importância que é ter alguém ao nosso lado nos maus momentos, e quanto os devemos apreciar nos bons momentos.
Enfim, este livro dá-nos muitas lições importantes mas eu não vou estar aqui a contar-vos todas porque vocês tem é de ler e aprender essas lições ao vosso tempo.
Acho que este livro foi importante para mim porque me fez reflectir no tempo que desperdiço em merdices, seja a olhar para o feed do Instagram, seja a reviver conversas na minha cabeça e a pensar no que devia ter dito e não disse. Fez-me também repensar nas minhas prioridades, no que me falta atingir como pessoa e se estou a viver a minha vida na melhor e mais verdadeira maneira possível.
O livro que eu li foi em inglês e recomendo vivamente ler este livro nesta língua para aqueles que querem aprender ou praticar o inglês, visto que a linguagem é mesmo mesmo acessível. Ou então o livro está também disponível em português.
Boas leituras 🙂
PS – Gostei tanto do livro que fiquei curiosa para ler mais livros do Mitch Albom. Já me recomendaram “As Cinco Pessoas Que Encontramos no Céu” e acho que vai ser a minha próxima aposta.




