Quarto aniversário

Fazendo um balanço destes quatro anos que passaram, posso dizer que nunca me pergunto se tudo isto vale a pena. Nunca olho para trás. Nunca me deixo deitar abaixo pelas adversidades que vão acontecendo ou pelos desafios que aparecem.

Como a minha tia diz, há uma estrelinha lá em cima a cuidar de mim, e a impedir que as coisas descambem mais do que é preciso.

Para todos aqueles que me vêm dizer que não sabem como consigo, viver aqui sozinha, sempre a correr, sempre a mil, e mesmo assim sempre a sorrir, digo que não sou nem mais nem menos que os outros. Todos escolhemos, ou pelo menos gostava que assim fosse, a vida que queremos viver. Esta foi a que eu escolhi. No dia que não estiver bem, mudo-me. Nunca me acomodarei, nunca estarei num sítio onde não sou feliz. Nem tudo é fácil, mas isso é em todo o lado.

Estes ano que passou foi o melhor da minha vida, apesar de ter sido o mais difícil, e mesmo que tivesse todas as razões para ser o pior. E vejo o futuro com positivismo. Para aqueles que me dizem “estás como queres”, digo que não estou não. Neste momento quero mudar muita coisa, mas nunca me esquecendo de tudo o que aconteceu até aqui chegar. Tenho orgulho de tudo o que alcancei até agora, até das pequenas coisas, como acertar na quantidade de sal no arroz sem ligar à minha mãe. Já agora, feliz aniversário Mãe

Principalmente, sinto-me agradecida por todas as pessoas que conheci ao longo desta caminhada, dos desafios que me foram lançados e que consegui superar, das dificuldades que enfrentei com um sorriso na cara e àqueles que me deram a mão quando eu mais precisava.

Nestes quatro anos, que talvez pareçam mais, quero agradecer à minha família. Só eles sabem o que lhes custa eu estar tão longe, e sempre me apoiarem, nunca me pedirem (muito) para voltar, tentando sempre esconder o quanto gostavam que eu estivesse lá. A minha mãe, principalmente, que fica triste quando vê os meus amigos sairem para a praia sem mim, ou nas tasquinhas a beber sem mim. Tenho sido a filha mais egoísta de sempre, estando longe deles tanto tempo, e perdido tantos momentos da vida deles, principalmente da minha irmã.

Agradeço aos meus amigos que continuam a aturar-me, a contar-me as novidades da terra e a serem sempre os mesmos comigo. Não há nada melhor do que voltar ao clube da terra, beber um copo e falar das mesmas coisas que falávamos há cinco anos atrás, ter as mesmas piadas privadas, rir das mesmas coisas, discutir sobre os mesmos assuntos. Serei sempre a vossa Gina Wild.

Um agradecimento também a todos aqueles que vou conhecendo nesta grande selva, principalmente aos tugas, com quem sinto uma conexão tão grande e me fazem sentir em casa. Obrigada pelas churrascadas, pelas asneiras bem ditas, pela música pimba, pelas longas conversas como se fizessemos parte de um grupo de alcóolicos anónimos. Mas também aqueles que me vão aparecendo na vida vindos de diferentes partes do mundo, mostrando que somos mesmo todos iguais, e que podemos gostar de pessoas de outras culturas, religiões e ideologias completamente diferentes. Sou hoje uma pessoa mais tolerante, e capaz de amar alguém que não fale a mesma língua que eu ou que tenha crescido de maneira totalmente diferente de mim.

Obrigada a todos por fazerem parte desta grande aventura que é a minha vida. Amor é ter a capacidade de saber que a distância física é encurtada pela proximidade do coração.

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