Mãe

Não tenho inveja daqueles que estão na praia, apesar de estar cheia de frio. Não tenho inveja daqueles que tem muito dinheiro, apesar de o dinheiro não me ser suficiente. Não tenho inveja de quem se veste bem. Não tenho inveja de quem tem uma casa melhor que a minha. Ou de quem vai aos restaurantes da moda. Ou daqueles que falam super bem outras línguas.

Tenho inveja daqueles que te podem dar um abraço hoje. Tenho inveja daqueles que te vão ouvir rir. Daqueles que vão ser tocados pela tua boa energia. Vou estar triste por não te dar algo a tua altura.

Não sei o que faria um dia sem ti. Não passa um dia que não fale contigo, que não desabafe contigo. Contigo sou eu 100% das vezes. Não consigo fingir que estou bem quando não estou. Mesmo quando não digo que algo me incomoda tu sabes que se passa algo. Sabes quando estou cansada. Sabes quando estou para ficar doente. Sabes quando o trabalho não esta a correr bem. Basta ligar o Facetime.

Não há ninguém que me conheça melhor. Tu ficas preocupada com a minha dor de cabeça dias depois desta passar.

Sei que de manha, antes de serem horas de te levantares, estas na cama acordada a acompanhar-me no meu trajecto diário na tua mente, a fazer-me companhia. Eu sei porque te sinto ali.

Tu estas sempre a espera que eu te ligue a hora do costume, sempre com a mesma alegria mesmo quando não estas bem. Podes estar cansada, doente, mal disposta, mas vais queixar-te do cansada que eu pareço, do quanto andei hoje, do que comi, em vez de te queixares das tuas dores.

Sei que farias qualquer coisa por mim. Um dia quando estavas ca pensaste em não voltar para ai. Mais que uma vez alias. Estavas disposta a deixar tudo para trás para ficar comigo. E eu nem sequer estou ai hoje contigo. As vezes esqueço-me de te avisar que não vou estar em casa e não atendo o telefone e deixo-te preocupada. Tu es a pessoa que mais gosta de mim e eu deixei a tua casa faz amanha 6 anos e passo cada vez menos tempo contigo. E o tempo passa e nos vamos ficando cada vez mais velhas e tu mesmo assim ainda não te habituaste.

Cada regresso e sempre doloroso e os beijos e abraços são sempre mais do que o aceitável num aeroporto. E as chegadas são sempre cada mais ansiadas. Esperas que um dia seja de vez. E eu não sei se alguma vez será. Não te vou prometer algo que não sei se se ira concretizar. Porque sou egoísta e principalmente teimosa. E enquanto não for bem sucedida o suficiente até te poder pagar férias e tudo o que mereces nunca vai (vou) ser suficiente.

Obrigada por nunca nunca nunca nunca me deixares de apoiar. Obrigada por, apesar de sofreres, me apoiares em todas as minhas decisões. Sem nunca duvidares de mim. Por, pelo contrario, acreditares demasiado em mim. Porque por ti eu consigo tudo. Basta querer. Basta tentar. Uma vez disseste me enquanto eu ainda andava a estudar: “Um dia vais trabalhar num destes escritórios ao lado destes ingleses todos.” Eu olhei para ti, ri-me e disse “achas..”. Pois agora sou eu deles.

Muitos parabéns mãezita, um beijo enorme do tamanho do mundo, e nunca deixes de acreditar porque no dia que deixares de acreditar eu também deixo.

[26 de Julho de 2017]

Quinto aniversário

Gosto de brincar e de me chamar de emigra, e gozo comigo própria por marcar férias em Agosto, em alinhar em ir à festa do emigrante e em comprar manteiga mimosa no supermercado tuga porque “a daqui não é igual”.

Vou gozando mas não há nada como o caldo verde que fizemos para os amigos no outro sábado à noite, não há nada como assistir ao mundial e chorar agarrados uns aos outros mesmo estando a celebrar num país que não é o nosso, que não percebe o que é isto de ser português, que não sabe cantar o nosso hino, que não veste a nossa bandeira como nós vestimos. Não há nada como começar a ver ali o estádio de Alvalade, a dar a volta ao Tejo, e começar a aperceber-me que por baixo de mim estará ali a minha família à minha espera para me levar para casa.

Mas depois há o outro lado, em que quando estou em casa sinto falta da minha outra vida. A minha vida real. Porque essa vida que eu levo quando vou de férias é a vida a brincar, e para trás deixei, por uns dias, a minha vida a sério. Longe de onde cresci, de onde tenho a minha família, do almoço de domingo na avó, dos cafés com os amigos, dos meus cães, da praia, do sol, e das estrelas. Por isso nunca estou completa.

A minha vida é cada vez mais esta, e cada vez menos a vida a brincar. Porque não podemos viver do sol, não podemos viver dos cafés. E é assim que eu ando faz amanhã de manhã cinco anos. Sempre com metade da minha vida noutro país. Sempre em falta de algo. Acho que sou sortuda por ter duas casas, dois países, no fundo quase duas famílias. Mas esta sensação de nunca estar completa é o preço que tenho de pagar.

Este país tem-me desiludido tanto mas dando-me tantas coisas boas ao mesmo tempo, que eu continuo a andar aqui a fingir que mando nisto. Os meus amigos ingleses dizem-me que sou um deles. E eu não quero ser um deles. Quero estar ao pé deles. Trabalhar com eles, ganhar o ordenado deles (ah ah), viajar como eles. Mas não quero ser eles.

Sou portuguesa. Tenho mimosa e Compal no frigorifico. Misturo português com inglês, já tenho o meu próprio dicionário, sou do Sporting e de mais clube nenhum, defendo a selecção como ninguém, sinto falta dos almoços na minha avó, dos serões no sofá da casa dos meus pais (ou de minha casa, porque continua a ser minha por muitos anos que passem), de dormir com a minha irmã, tenho sempre saudades de tudo e de todos,deito aquela lágrima marota a cantar o hino e a aterrar em Lisboa, e outra lágrima marota quando o avião sobe outra vez no sentido norte, enquanto me despeço mentalmente de todos os que deixei para trás.

Durante o dia falo, penso e escrevo em inglês. Mas amo em português e tenho a saudade tão portuguesa marcada no meu coração e na minha pele.

Para sempre.

Obrigada Londres por estes cinco anos incríveis.

E que seja o que deus quiser, mas principalmente o que eu quiser.

[26 de Julho de 2016]

O debate do EU referendum visto por uma imigrante

Há umas semanas estava eu com o meu senhor no hospital à espera da nossa vez depois de uma espinha malvada ter decidido alojar-se na sua garganta durante vários dias.

Como somos pessoal com muita sorte, um problema técnico no sistema informático do hospital naquele serão fez-nos estar a espera das 19:30 as 23:30. Saímos de lá uma hora depois.

Durante a nossa longa espera, um rapaz com uma entorse no pé, provavelmente farto de nos ouvir conversar numa língua que não inglesa, começa a barafustar que a culpa desta espera toda era da União Europeia, e que se saírem da UE isto acaba.

Ora esta teoria tem muito que se lhe diga. Primeiro, não é nada normal esperar muito tempo nas salas de espera dos hospitais. Coisa nunca vista. Segundo, de certeza que foi algum estrangeiro que chegou ali aos computadores, e como mal sabe falar ou ler inglês, encravou o sistema todo. Depois, obviamente que assim que votarem para sair, todos os imigrantes vão ser recambiados para os seus respectivos países, e se restarem alguns por engano, nunca ficarão doentes.

Acho incrível como esta gente pensa que não precisa de nós. Ou que nós devemos trabalhar e pagar impostos tal e qual como eles mas não devemos ter direitos básicos como serviços de saúde.

Se há muita mama? Há. Se há pessoal que vem para cá e se candidata logo para subsídios e começa a fabricar rebentos para ter mais regalias ainda? Claro que há, sempre houve.

Mas há certamente ainda mais escumalha inglesa a fazer isso do que estrangeiros. Não me venham com tretas, porque o vosso país não e tão perfeito assim!

Vim para cá por não acreditar no meu governo e por não me sentir encaixada na sociedade da inércia e de encolher os ombros e deixar andar.

Mas agora, mesmo antes de saber o resultado do referendo, sinto-me desapontada com o que tenho visto: um ataque constante àqueles que vivem cá, trabalham arduamente e pagam muitos impostos, talvez mais que muita gente por aí com passaporte britânico.

Mas não desisto. Se não fosse do meu próprio interesse que a economia prospere, torceria para que votassem para sair, só para depois verem em que buraco se tinham metido.

Vejo estupidez por todo o lado. Nestes últimos meses, tudo de mau neste país é culpa da união europeia e dos imigrantes, como se não precisassem de nós para os servir nos restaurantes, para lhes limpar os escritórios, para lhes construir as casas.

Esses a favor de sair da UE fazem sentir-me constrangida por escolher um país diferente daquele em que nasci, e gostava de ver esses na minha pele por um dia que fosse. Estar longe da família e dos amigos, da nossa comida, dos nossos sítios, escolher e adaptar-se a um país e a uma cultura nova, e depois ser acusada de encher hospitais, roubar empregos e custar demasiado dinheiro ao estado. Como se atrevem!

[20 de Junho de 2016]

(Never) afraid

Estou neste momento a ir para casa no comboio sozinha. Depois de um dia longo de trabalho, encontrei-me com a minha melhor amiga da universidade que já não via há algumas semanas.

Aqui o tempo voa e as pessoas andam sempre ocupadas. Se não falarmos durante duas ou três semanas, não faz mal. Tudo é compensado quando finalmente conseguimos arranjar um dia e pomos a conversa em dia.

Hoje a conversa acabou de uma maneira diferente. Enquanto acabávamos de comer o nosso take away, fomos vendo as notícias no telemóvel. Mais e mais notícias de Paris. Novas notícias de um estádio na Alemanha a ser evacuado. A minha amiga, que cresceu na Alemanha, olha para mim de olhos muito abertos a perguntar onde foi mesmo. Respira de alivio quando chega a conclusão que não conhece ninguém daquela zona. Ouvimos o hino francês a ser cantado no jogo da Inglaterra contra França por milhares de pessoas.

“Eu é que não ia a este jogo, fogo,” dizemos nós. E aí começamos a trocar ideias.

Porque haveríamos de deixar de fazer a nossa vida? Então mas agora vivemos a medo? Vou ter medo sempre que o metro parar, sempre que andar na rua, sempre que for a um concerto ou ao teatro ou ao futebol? Começamos a pensar nas hipóteses caso algo aconteça.

“E se eu não te consigo contactar?”

Começamos a pensar que não adianta fugir, porque até no trabalho algo pode acontecer. Se quando o atentado ao Charlie Hebdo o meu edifício foi posto em estado de alerta com seguranças e cadeado, hoje partilho o espaço e pertenço ao mesmo grupo que nada mais nada menos que o New Statement.

Nesse momento, recebo uma mensagem de uma amiga a perguntar se pode dar o meu contacto à mãe dela caso algo aconteça. Acho boa ideia e decido fazer o mesmo para a minha.

Mas que merda é esta? Que mundo é este em que vivemos neste momento?

Hoje apetece-me chorar. Sinto-me sufocada neste medo constante à minha volta, em que toda a gente olha desconfiada enquanto tentam fazer as suas vidas normais.

Que mundo é este, em que foi preciso a desgraça acontecer perto de nós para ficarmos alerta?

Hoje sinto medo não por mim, mas pelos meus. Não tenho medo que algo me aconteça, tenho medo por tanta gente que gosto, e por aqueles que cá ficam.

Hoje enquanto escrevo isto no comboio, as pessoas à minha volta olham fixadas para os ecrãs dos seus telemóveis. Sei bem o que estão a ler.

No entanto, digo que hoje fiz a minha vida normal e amanhã é um novo dia. O medo não me pára. E irei a concertos, e a teatros, e a jogos, e andarei de metro, e pelas ruas mais movimentadas. Gosto demasiado disto.

Não adianta ter cuidado. Não adianta evitar certos sítios. Não adianta deixar de viver a vida. “Eles tem armas, nós temos champagne.” Ou take away pizza. Ou as iluminações de Natal.

Hoje apetece-me chorar. Não por mim, mas pelo mundo em que vivo. Mas amanhã é um novo dia.

[17 de Novembro de 2015]

Quarto aniversário

Fazendo um balanço destes quatro anos que passaram, posso dizer que nunca me pergunto se tudo isto vale a pena. Nunca olho para trás. Nunca me deixo deitar abaixo pelas adversidades que vão acontecendo ou pelos desafios que aparecem.

Como a minha tia diz, há uma estrelinha lá em cima a cuidar de mim, e a impedir que as coisas descambem mais do que é preciso.

Para todos aqueles que me vêm dizer que não sabem como consigo, viver aqui sozinha, sempre a correr, sempre a mil, e mesmo assim sempre a sorrir, digo que não sou nem mais nem menos que os outros. Todos escolhemos, ou pelo menos gostava que assim fosse, a vida que queremos viver. Esta foi a que eu escolhi. No dia que não estiver bem, mudo-me. Nunca me acomodarei, nunca estarei num sítio onde não sou feliz. Nem tudo é fácil, mas isso é em todo o lado.

Estes ano que passou foi o melhor da minha vida, apesar de ter sido o mais difícil, e mesmo que tivesse todas as razões para ser o pior. E vejo o futuro com positivismo. Para aqueles que me dizem “estás como queres”, digo que não estou não. Neste momento quero mudar muita coisa, mas nunca me esquecendo de tudo o que aconteceu até aqui chegar. Tenho orgulho de tudo o que alcancei até agora, até das pequenas coisas, como acertar na quantidade de sal no arroz sem ligar à minha mãe. Já agora, feliz aniversário Mãe

Principalmente, sinto-me agradecida por todas as pessoas que conheci ao longo desta caminhada, dos desafios que me foram lançados e que consegui superar, das dificuldades que enfrentei com um sorriso na cara e àqueles que me deram a mão quando eu mais precisava.

Nestes quatro anos, que talvez pareçam mais, quero agradecer à minha família. Só eles sabem o que lhes custa eu estar tão longe, e sempre me apoiarem, nunca me pedirem (muito) para voltar, tentando sempre esconder o quanto gostavam que eu estivesse lá. A minha mãe, principalmente, que fica triste quando vê os meus amigos sairem para a praia sem mim, ou nas tasquinhas a beber sem mim. Tenho sido a filha mais egoísta de sempre, estando longe deles tanto tempo, e perdido tantos momentos da vida deles, principalmente da minha irmã.

Agradeço aos meus amigos que continuam a aturar-me, a contar-me as novidades da terra e a serem sempre os mesmos comigo. Não há nada melhor do que voltar ao clube da terra, beber um copo e falar das mesmas coisas que falávamos há cinco anos atrás, ter as mesmas piadas privadas, rir das mesmas coisas, discutir sobre os mesmos assuntos. Serei sempre a vossa Gina Wild.

Um agradecimento também a todos aqueles que vou conhecendo nesta grande selva, principalmente aos tugas, com quem sinto uma conexão tão grande e me fazem sentir em casa. Obrigada pelas churrascadas, pelas asneiras bem ditas, pela música pimba, pelas longas conversas como se fizessemos parte de um grupo de alcóolicos anónimos. Mas também aqueles que me vão aparecendo na vida vindos de diferentes partes do mundo, mostrando que somos mesmo todos iguais, e que podemos gostar de pessoas de outras culturas, religiões e ideologias completamente diferentes. Sou hoje uma pessoa mais tolerante, e capaz de amar alguém que não fale a mesma língua que eu ou que tenha crescido de maneira totalmente diferente de mim.

Obrigada a todos por fazerem parte desta grande aventura que é a minha vida. Amor é ter a capacidade de saber que a distância física é encurtada pela proximidade do coração.

Essa cena de ser feliz

Ser feliz é uma coisa estranha. Precisamos de ter razões para o ser? Precisamos de ter alguém?

Precisamos de ter coisas? De estabilidade?

Ser feliz pode ser apenas sentir-se bem por dentro mesmo quando não há grandes razões para isso.

Temos medo de perguntar às pessoas se são felizes. Com medo da resposta, ou com receio de as fazer pensar se tem razões ou não para o ser.

A felicidade constrói-se todos os dias. Mas não podemos confundir felicidade com conformidade ou comodismo.

Muito de nós já cometemos esse erro. Pensamos que estamos felizes porque estamos estáveis, estamos confortáveis.

É quando saímos da nossa zona de conforto que descobrimos como ser feliz.

Às vezes é preciso perder tudo aquilo que pensávamos que nos deixava feliz para perceber que afinal estava a prender-nos e a bloquear-nos.

Podes ser feliz não tendo dinheiro para comprar roupa nova, sem ter namorado ou melhores amigos ao pé de ti. Podes feliz sem ter um trabalho 100% estável ou nas condições que mais querias. Podes feliz mesmo que não tenhas o corpo ideal ou que as coisas não corram todas bem.

Não é preciso ter razões para ser feliz.

O importante é sentir uma paz interior e uma esperança de que coisas boas virão. A felicidade da incerteza. A felicidade sem razão. Ser feliz só porque sim.

Aprender a gostar da nossa própria companhia.

[18 de Fevereiro de 2015]

Ser jornalista num dia como hoje

Há cerca de um mês foi-me pedido para escrever uma notícia sobre um ataque a uma escola paquistanesa em que uma centena de crianças foram baleadas por estudarem numa escola do exército nacional. Na altura fiquei tão enraivecida e triste com a notícia que fiquei o resto do dia a pensar naquilo. Fui para a casa de banho, sentei-me no tampo da sanita e fiquei ali a pensar. Como era suposto escrever os acontecimentos sem qualquer emoção, relatar os factos e pronto, limitar-me a ficar na esperança que alguém lesse as minhas palavras e se sentisse revoltado como eu. Andei o dia todo sem apetite e com vontade de chorar. Que tipo de pessoas são capazes de fazer uma coisas destas, perguntava-me eu. Eram apenas crianças.

Hoje o dia no newsroom estava caótico, pelo menos para mim. Estava cheia de coisas para fazer e precisava de ir fazer trabalho fora do escritório o quanto antes. Estava eu a tentar acabar um artigo que era suposto já ter sido publicado quando o meu editor me diz “Jessica, vê o alerta que recebemos no email. Quero que fiques responsável por isto. Escreve algo rápido agora e depois vai adicionando”. Na altura fiquei ainda mais irritada mas disse que sim e lá fui fazer isso ao mesmo tempo que o trabalho anterior.

A notícia de última hora era o tiroteio à sede da revista francesa Charlie Hebdo. Emails dos meus colegas de Espanha não paravam de chegar com videos, tweets, links. Escrevi a história, adicionei aquilo tudo e continuei a minha vida. Não sei como, mas nem raciocinei acerca daquilo que tinha acabado de escrever. Nessa tarde estive fora do escritório duas horas, voltei, e juntamente com outros colegas continuei a adicionar novidades ao artigo. Começava-se a comentar entre nós o sucedido, mas eu sempre alheia. “Isto é uma espécie de 11 de Setembro”, diziam uns. “Agora até se morre por fazer desenhos”, diziam outros.

Foi quando cheguei a casa e fui ler tudo como deve ser que finalmente caí em mim. Como era possível eu ter relatado os factos todos, adicionado fotos e videos não ter perdido tempo a ver os videos sequer; Não ter perdido tempo a pensar no significado de tudo isto?

Neste momento sinto um desconcerto cá dentro. Gostava de chorar e deitar tudo cá para fora mas não consigo. Aquela sensação de um murro no estomago, como quando alguém querido morre e tu estás naquela fase de dormência em que ainda estas a tentar perceber o que aconteceu e o que tudo significa.

É impossível não sentir revolta. Que mundo é este? Não era suposto a História nos ter ensinado que o ódio destrói nações e povos? Não era suposto por esta altura já termos aprendido a viver uns com os outros, aceitando todas as diferenças?

Estou revoltada comigo também, por ter andado o dia todo tão alheia, tão insensível a um acontecimento como estes.

Quero aqui dizer que os meus pensamentos estão com as famílias que perderam alguém hoje naquele ataque. São jornalistas e artistas como aqueles que perdemos hoje que o mundo avança. Hoje o mundo deu uns quantos passos para trás, mas quero aqui dizer que o trabalho daqueles que nos deixaram hoje vai ficar gravado para sempre, e que não morreram em vão.

Das coisas mais bonitas que ouvi até hoje e que guardo no meu telemóvel e oiço muitas vezes, foi um homem que veio à minha universidade falar de quando perdeu uma perna nos ataques terroristas no metro em Londres. Ele disse que os terroristas que conduziram o ataque queriam espalhar o ódio, mas o espírito de entre-ajuda que ele vivenciou naqueles minutos angustiantes dentro do metro e todo o apoio dos médicos, enfermeiros, colegas e família mostrou que o objectivo das explosões falhou redondamente, já que aquela experiência tinha criado um amor incondicional entre aquelas pessoas, para sempre.

Quero acreditar num futuro em que podemos criticar, satirizar ou mesmo brincar com assuntos mais delicados sem correr o risco de levar com um tiro nos miolos. Quero acreditar que todos aqueles que lutaram ao longo dos séculos pela liberdade de expressão e opinião não tenham lutado em vão. É a nossa vez de lutar por estes direitos que à partida pareceriam tão básicos em pleno século XXI.

Vamos parar com ódio, sim? Não quero viver num mundo assim.

[7 de Janeiro de 2015]

Segundo aniversário

O dia tão esperado tinha chegado. Eu estava bem. Estava desejosa que a hora chegasse. Sentada no sofá, de punho fechado, com o estomago vazio de emoções, medos e ansiedade. Tinha acordado na mesma cama e na mesma casa que haveria vivido desde que nascera e ia acabar o dia ainda não sabia bem onde nem como. Este era, finalmente, o primeiro dia do resto da minha (nova) vida.

A noite anterior tinha sido de despedida da família. Algumas noites atrás, a última jantarada com os amigos mais chegados. Olhando para trás, não sei como lidei com tanta coisa com tanta frieza. Em momentos complicados o meu coração defende-se a sete chaves não para me defender mas para defender os que me rodeiam. O jantar com os amigos tinha sido de festa e acabou como qualquer outra noite no clube da terra, cada um indo para a sua casa calmamente. A noite anterior, que coincidência, era o aniversário da minha mãe. Ela estava inconsolável, mas queria aguentar-se forte. E conseguiu.

O dia haveria chegado. A casa estava silenciosa. Nós estávamos silenciosos. O último dia, o último almoço. Os meus avós vieram. Abraçaram-me muito e foram chorar para casa. Eu disse para não chorarem mas um passarinho disse-me que choraram a noite toda. Eu continuava firme, a sorrir, a dizer que nos iríamos ver em breve. Sabia lá eu se íamos, quando íamos. Tinha combinado com os meus pais que não me levariam ao aeroporto. Nunca fomos de chorar juntos e eu não queria chorar. Chorar para que? Tinha que estar contente, porque ia-me ser dada a oportunidade que muita gente gostaria de ter. Se chorasse ia-me estar a lamentar, e eu estava era agradecida pela nova vida que me iria ser proporcionada. Não queria que a última imagem dos meus pais durante meses fosse as minhas lágrimas, mas sim o meu sorriso de quem acreditava que tudo iria correr bem, e que esta era a escolha mais acertada.

Despedimo-nos com um abraço, a minha mãe com o coração nas mãos e o meu pai sempre mais recatado, a aproveitar os últimos momentos com a filha para lhe dar as recomendações: tem cuidado na rua, não te descuides com a alimentação, porta-te bem. Estas foram as últimas palavras. E ali fui eu. Via a minha casa, a minha terra a ficarem cada vez mais para trás.

Tinha sido forte nestes últimos dias, pois iria continuar a ser. A viagem começara. Jessica Fino, com 18 anos, dia 27 de Julho de 2011, dias depois da segunda fase dos Exames Nacionais do Ensino Secundário, com média de 16,4 valores, com o namorado há já um ano ao lado, rumava para o Reino Unido, sem sítio onde dormir nessa noite.

Enquanto o avião subia demos as mãos com força e prometemos um ao outro sermos felizes e nunca nos arrepender desta decisão. (A nossa história entretanto acabaria três anos depois. Sem dramas, sem rancor. Apenas com um carinho e uma tristeza muito grande)

Porque haveria? Tinha recebido a oferta da universidade há mais de seis meses, ia estudar aquilo que sempre sonhara estudar, na universidade onde a Daniela Ruah começou também o seu sonho. Não tinha de me preocupar com propinas e materiais escolares. Trabalho e casa haveria de aparecer.

Primeira foto tirada em Londres

A partir daqui todas as decisões foram nossas. Isso e trocar a minha casa de duas salas e cinco quartos por casas partilhadas por 7 pessoas com bolor e baratas e estúdios minúsculos. A trocar a comida da mamã por comida feita por nós com carne vinda de não sei de onde, legumes não frescos e fruta sem sabor. Habituar-nos a outra moeda, a outra língua. Fazer contas todos os dias. Não ser percebida, não perceber os outros, não se sentir incluída e muitas, muitas vezes, sentir-se sozinha e uma maria-ninguém.

Desde o dia 31 de Julho passamos por desemprego, riots a acontecer na nossa rua, assédio sexual, troca de casas, trocas de trabalho, dinheiro perdido, mal gasto… Tudo isto fez parte da nossa aprendizagem.

E todos, todos os dias é uma nova luta. Uma nova conquista. Um novo desafio.

Não há um dia que não me sinto culpada por deixar a minha avó 24 horas preocupada comigo, a minha mãe 25 horas por dia a sentir a minha falta, a perder os melhores anos da minha irmã, e não estar lá para ela.

Mas também não há um dia que não penso o quanto não me tornei mais próxima da minha família desde que cá estou, ironicamente. Falo mais com os meus pais e partilho mais coisas com eles do que quando vivíamos debaixo do mesmo teto. Não há um dia que sinto como mudei, para melhor, acho, como evolui de ideias e habilidades e como pessoa, sem nunca, nunca me perder.

Agora que tenho toda a liberdade, sou mais responsável do que quando não a tinha.

Dois anos numa terra que não me pertence nem me conhece. Dois anos. Não tenho noção se é muito ou pouco tempo. É o que é. Todos os dias com a vida incerta e instável. Sempre dura. Mas quem me conhece sabe que nunca perdi o sorriso. Nunca. Haja o que houver.

Obrigada à minha família, que sem as chamadas Skype não sei o que era de mim e sem as visitas o ânimo já tinha ido. Um dia hei-de compensar-vos. A todos.

Obrigada aos amigos que ficaram, que ainda se lembram, que saudades sentem. Obrigada cada vez que vos visito fazerem valer a pena.

Obrigada a todas as pessoas que me complicaram a vida. A todas as pessoas que disseram que não valia a pena. Que duvidaram. Que mal disseram. Que mal desejaram. Adoro contradizer e provar que eu tenho razão.

Obrigada Londres.

[25 de Julho de 2013]

Mito, a pessoa mais triste do mundo

Pessoas aparecem nas nossas vidas de diferentes formas. Acredito que ninguém aparece por acaso, e até hoje toda a gente que conheci me ensinou algo, me mostrou algo, ou até mesmo mudou algo em mim.

A pessoa que mais me tocou nos últimos tempos, porém, é alguém como nunca antes me tinha cruzado. Essa pessoa mostrou-me o que é a tristeza, o que é a solidão, o que é a injustiça. Ela mostrou-me que ainda existe muito mal no mundo e que, às vezes, por muito que querias ajudar, nada podes fazer.

Mito nunca me disse a idade dela. Eu só queria saber o seu dia de aniversário, para lhe comprar um presente. Ela tinha vergonha de dizer. Colegas disseram-me que ela apenas não gostava de celebrar nem queria que ninguém celebrasse.

Mito foi a pessoa mais triste e mais misteriosa que conheci até hoje.

Senhora japonesa, idosa, desgastada com a idade. Olhar triste, sorriso apagado, corpo dormente, torto e sujo.

Disse-me, um dia, na conversa mais emocionante que alguma vez tive e que me deixou de lágrimas nos olhos, que tinha vindo para Inglaterra há quarenta anos e nunca voltara ao Japão. Nunca mais viu a sua família. Acredito que poucas vezes tenha voltado a falar com eles. Não estava autorizada.

Hoje, Mito não sabe se estão vivos ou não. Os pais, morreram pela lógica dos anos, mas ela nem essa noção tem. Possivelmente quer acreditar que eles ainda existem, apenas não à sua vista. Não sabe sequer se teria alguma família à sua espera no Japão, daí também nunca ter voltado. Mesmo se quisesse, não podia.

Tinha vinte anos quando disse adeus ao seu país e nunca olhou para trás. A família era contra. Mito foi atrás de um sonho, ia ser empregada de uma prestigiada família japonesa em Londres.

Demorou meses a chegar a Inglaterra, conta-me ela com um sorriso nostálgico, de quem relembra a viagem da sua vida. Viajou de país para país, de autocarro e de comboio. Atravessou o mundo por estes meios. Contava-me ela cada paragem. Lembrava-se de cada pormenor da viagem. Deve pensar nela todos os dias.

A sua patroa era uma cabeleireira num salão de luxo, especialista em cabelo japonês e permanentes. Famosa, contaram-me. Mito tornou-se a sua assistente, e com o tempo tornou-se também ela numa cabeleireira, mas sempre na sombra da sua patroa. Senhora Yokomoto, da alta sociedade japonesa, imperatriz, cruel.

Quando Yokomoto decidiu reformar-se, Mito continuou a fazer as suas clientes. Com o tempo, quase todos os clientes morreram de velhice. Mas ela continua ali, marreca, cansada, com dores, e de sorriso apagado. O ordenado não vai para ela, vai todo para a sua “dona”. Mito recebe cama e comida, nada mais. Depois de fazer os clientes da patroa, as lides domésticas esperam por ela em casa até de madrugada.

Todos os dias, quando Mito acaba o trabalho, eu tinha de ligar para a patroa e dizer que a Mito acabara o trabalho nesse momento e que se ia embora . Ao princípio não percebi o porquê deste telefonema ter de ser obrigatório e o porquê de não poder ser a Mito a falar. Depois foi-me explicado: se não ligássemos nós, a patroa pensaria que Mito tinha ido passear e não trabalhara. Assim podia calcular o tempo de ela chegar a casa e ter a certeza que ela não ia a lado nenhum. Uma vez disse ao telefone “she is going now home”. Mito ficou com os olhos muito abertos e disse-me “não podes dizer isso, já vou ouvir quando chegar. Ela diz que eu não vou para casa porque aquela não é a minha casa”.

Lembro-me de Mito a dormir em cima da comida dela. Lembro-me de a acordar lentamente, e ela ficar embaraçada, explicando que esteve a esfregar o chão e as paredes até as cinco da manhã. Disse-me uma vez que tinha de lavar as paredes todos os dias, e se a patroa decidia, mais que uma vez. Passava noites em claro a jardinar, a pintar janelas, a esfregar o chão.

As suas mãos estão pretas, secas, quase a cair. As suas costas estão completamente tortas, e Mito anda em forma de corcunda.

O que Mito passa há quarenta anos é pura escravidão, algo que me chocou por vivermos em pleno século XXI, de estarmos num país desenvolvimento e de ela trabalhar num salão supostamente de luxo.

“Mas nunca ninguém a tirou daquela vida? Ninguém fez frente a patroa?” perguntei eu uma vez a alguém.

“As clientes dela ao longo dos anos quiseram tirá-la de la, contratá-la, mas ela rejeitou sempre. Tinha medo da senhora Yokomoto.”

Mito mal sabe inglês, mesmo vivendo cá há quarenta anos. Os seus clientes são japoneses e quando tem uma hora livre é em ChinaTown que se refugia, a beber e a fumar. É difícil de a perceber, e muitas vezes quando lhe perguntava como estava ela respondia com um suspiro “tired. Cleaning cleaning. All night”.

Disseram-me que Mito passa muitas noites a beber. Não me admira, mas preocupa-me. Criei uma amizade especial com aquela senhora, que toda a gente naquele sítio se habituou a ignorar.

Ela corta e pinta o cabelo a ela própria porque não quer chatear ninguém e ninguém quer saber. Uma vez pintei-lhe o cabelo, lavei-o bem e sequei-o. Agradeceu-me emocionada o dia inteiro. Fi-la feliz naquele dia. Ficou tudo chocado com a minha atitude a partir daí toda a gente lhe queria arranjar o cabelo. Uma vez, uma das cabeleireiras cortou-lhe o cabelo como deve ser e ela ficou bonita.

No dia a seguir, Mito apareceu com o cabelo completamente arruinado e estava horrível. Yokomoto ficou com ciúmes e cortou-o de modo horrível e assimétrico. Mito chorava com pena dela própria e eu com pena dela.

Ela é muito pegada às coisas antigas, principalmente japonesas, mostrando as saudades que tem de casa. Fazia coleção de fotos da sua juventude, a postais com decorações japoneses, amostras de perfumes, tudo e mais alguma coisa. Uma vez chegou ao trabalho ainda mais triste que o normal. Contou-me que a patroa a tinha mandado por todos os seus pertences no lixo. Foi tudo para o lixo. Apenas salvou algumas amostras de perfume, que nos ofereceu, porque se a patroa as visse iam também para o lixo. Todas as fotos, todas as memórias, foram para o lixo porque a patroa quis.

Mesmo assim, Mito fazia-nos massagens quando via que estávamos com dores. Não queria massagens de volta, embora o corpo dela esteja completamente quebrado. Mesmo assim, ofereceu postais de natal a toda a gente, e estava constantemente a oferecer-me noodles e arroz japonês.

Os dois ou três dias que ela vai trabalhar no salão são os melhores dias da vida dela. Muitas vezes me pedia para dizer à patroa que tinha clientes até mais tarde só para poder ficar lá mais um bocado (a dormir e a fumar).

Desde que saí do salão, a pessoa que mais sinto falta é da Mito. A vida dela é uma completa solidão, e a solidão é a coisa de que tenho mais medo.

Tenho respeito por ela, e tenho muitas saudades dela. Preocupo-me com ela e penso nela mais vezes do que qualquer outra pessoa pensa, e isso é extremamente triste.

Quero honrar esta senhora, e um dia gostava de escrever um livro sobre a sua história completa. A sua viagem do Japão até Inglaterra, a sua vida nos últimos quarenta anos. Tenho a certeza que ela nunca consentiria tal coisa, mas este texto é uma forma de a honrar, e de, a partir de agora, mais alguém conhecer a sua história, e respeitá-la.

[23 de Março de 2013]

My purpose

As vezes ponho-me a pensar no quanto gosto de viver aqui, e sinto-me um bocadinho mal. Passo a explicar.

Não achei a adaptação a um novo pais difícil. Quando cheguei tive um verão espectacular, melhor tempo do que em Portugal. Quando veio o frio, não foi nada que me incomodasse. Ate parece que não passamos frio como o raio em Portugal. Alias, aqui estamos melhor protegidos do frio nas casas. Estão todas bem isoladas e o aquecimento já vem incluído.

O que mais me custou foi o facto de ter de partilhar casa com pessoas que não conheço. Mas não foi por isso que me pus a lamentar que em Portugal tinha um quarto so para mim e estava segura com a minha familia.

Irrito-me quando vejo pessoas que emigram e depois passam a vida a queixar-se, a choramingar, que vida tão difícil, ai mas eu sou tao corajoso. Bolas, se não têm estofo para isto, não venham. Se vêm para cá só por causa do dinheiro mas se ficam com o coração em casa não resulta. Precisa-se de fazer uma avaliação interior, do quanto queres estar aqui, se vale a pena, se consegues encontrar aqui a tua felicidade. Senão, faz as malas e volta. Ninguém deve estar num sitio onde não se sente feliz por opção.

Eu vim com as ideias certas. Portugal não servia para mim. Não queria ir para a universidade em Portugal. Para que? Nem no jornal local teria emprego. E todo o dinheiro que os meus pais iriam ter de inventar? E vamos encarar a realidade. Saímos do secundário como putos. Temos 17, 18 anos, so fazemos disparates, não sabemos nada da vida. Nunca ninguém trabalhou. Temos três anos para nos tornar-mos adultos e começar no mundo do trabalho.

Agora pergunto: como é que a universidade em Portugal nos forma como adultos em três anos?

Eu vim com um propósito. Vim para acabar estes três anos como uma jovem adulta, capaz de lutar por um lugar no mundo do jornalismo, aquilo que sempre quis fazer. Não pensem que aqui não é fácil. Já na universidade, sentimos a pressão. A competição. Se em Portugal não há emprego, aqui há emprego para os melhores. Para os mais criativos, para os mais trabalhadores.

Aqui não é fácil de todo. Mas sinto que estou a crescer. Claro que sinto falta da minha familia e amigos. Claro que tenho os meus momentos em que penso nas coisas e avalio o que vale e o que não vale a pena.

Mas sinto-me tão bem com as minhas decisões que não me sinto mal, e as vezes as pessoas confundem a minha segurança com frieza. “A serio que não tens saudades disto? Não gostavas de voltar?” Claro que tenho saudades, é a minha terra, a minha familia. E enquanto viver aqui vou fazer sempre tudo para ir a Portugal quantas vezes puder. E mesmo que o futuro me leve para outro lado, continuarei a faze-lo.

O importante é não esquecer o nosso propósito. E eu acredito que todo o esforço, todas as horas que já passei a trabalhar nesta terra, todas as aventuras que passei e todos os problemas que enfrentei me tornem numa pessoa mais forte, mais lutadora, mais resistente e mais bem sucedida.

[30 de Novembro de 2012]