Os últimos seis meses

Já não escrevia fora do meu trabalho há muito tempo. Tanta coisa se passou desde a última vez, a vida não pára e todos os dias são uma montanha russa, e o tempo passa e o momento nunca parece o mais certo.

No entanto, há cerca de uma semana atrás encontrei uma troca de emails com uma amiga de há sete anos atrás, meses depois de ter vindo morar para Londres. Li os nossos emails com um sorriso nos lábios. Tanta coisa tinha mudado desde então, mas as miúdas que éramos continuava ali entre linhas, e a amizade continuava lá toda.

Parei de escrever no blogue não há sete anos mas há já vários meses e nem sei porquê. Desde então algumas coisas aconteceram desde então: fiquei noiva. Despedi-me. Comecei um novo trabalho.

Gostava de nos falar desde primeiro acontecimento que mencionei. Como sabem as pessoas que me conhecem, nunca foi um sonho meu casar-me, mas o corajoso do meu namorado decidiu arriscar e pedir-me em casamento da maneira mais bonita que eu poderia ter imaginado: num barco debaixo da ponte de Brooklyn, durante a minha viagem de sonho.

As nossas férias em Nova York já estavam a ser memoráveis, e o pedido no penúltimo dia nesta aventura foi mesmo a cereja no topo do bolo. Desde pequenina que sonhava em ir a NY mas pensava que isto não iria acontecer tão cedo. Foram dos dias mais felizes da minha vida, onde andamos kilómetros sempre sem horários nem pressa, a viver a cidade que sempre idealizei conhecer.

Diamond in the sky

 

Aquela viagem de barco foi a surpresa mais especial que já alguém me preparou. E agora, quase seis meses depois, digo que o mais especial para mim disto tudo foi o amor que foi preciso ter por mim para preparar tudo isto, desde a escolha personalizada do anel, ao planeamento da tour privada de barco, da logística de andar com o anel de Londres para Nova York, de casa da nossa amiga em New Jersey para o Airbnb em Brooklyn, até chegar o derradeiro dia.

Nunca pensei ter alguém que estivesse disposto a fazer isto tudo por mim, quanto mais alguém que de livre vontade quisesse assegurar-se que isto que temos é para a vida.

E por isto tudo eu disse que sim. E se nunca idealizei casar-me, a verdade é que o planeamento tem sido uma fase super gira e que me tem dado bastante gosto. É nesta fase que me apercebo ainda mais da pessoa que tenho ao meu lado, alguém que quer fazer parte de tudo, que se preocupa com muitos mais pormenores do que eu.

A vida realmente tem mais piada quando é partilhada, e nestes últimos dias em particular, que têm sido tão desafiantes e intensos, agradeço ter alguém à minha espera de braços abertos quando chego a casa.

Quando uma pessoa muda de trabalho muda também de vida. Durante os últimos três anos e meio trabalhei numa revista escrevendo sobre economia e finança. E eu adorava o meu trabalho, era das pessoas mais envolvidas na empresa, tendo criado o clube de leitura e fazendo parte do comité social (o pessoal que organiza as festas da empresa e tal). Mas já não me estava a sentir desafiada e a semana passada disse adeus aquela que era a minha família inglesa. Não foi uma decisão fácil mas foi necessária.

O meu último dia foi maravilhoso. Passaram o dia a tentar fazer-me chorar. Houve discursos, recebi imensas lembranças, cartas, mensagens, tive imensos almoços de despedida nas últimas semanas de trabalho e saí dali de coração apertado mas cheio, agradecida de tudo o que alcançei nestes últimos anos e das amizades que criei. Ainda hoje me emociono com o facto de podermos criar amizades tão fortes com pessoas que não partilham a mesma lingua, o mesmo background, a mesma cultura ou religião.

O Fábio foi à minha festa de despedida e adorei ver a forma como todos o trataram, como se também fosse família deles por terem ouvido tantas histórias sobre eles, sobre nós, ao longe destes anos. Quando íamos embora ele ainda me deixou mais com o coração nas mãos ao dizer: “eles gostam tanto de ti, não vais ficar cheia de saudades deles?”

Devia de tentar perceber porque é que estou sempre a ir embora de ao pé das pessoas que me querem bem…

Ainda não posso falar muito do meu novo trabalho porque hoje foi o meu terceiro dia, mas têm sido dias imensamente desafiantes, onde já aprendi imenso, paniquei bastante, mas percebi que era mesmo isto que estava a precisar.

To be continued…

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