Como correr Portugal numa semana

Muitas vezes quando pensamos em férias e em viajar pensamos não só nos sítios maravilhosos que vamos visitar mas também nos sítios onde vamos ficar. Acho que quanto mais velhos vamos ficando mais pensamos em conforto, em hotéis com boas localizações, boa comida, piscina, seja o que for.

Apesar de ainda ser bem novinha, longe vão os tempos em que acampava no festivais, onde só depois se montar a tenda é que percebia que ia dormir debaixo de uma pedra ou que o terreno estava inclinado.

E mesmo que não tenha muito dinheiro, gosto de ficar num sitio seguro, confortável, onde as pessoas sejam simpáticas e me dêem dicas sobre o local onde estou.

MAS, e se tivesse a opção de “ficar” num sítio que estivesse sempre em movimento? Onde pudesse parar todos os dias num sítio diferente, fazer os meus próprios churrascos, e adormecer a ver as estrelas?

Foi exactamente isso que fizemos este verão, e depois desta experiência acho que trocaria todos os hotéis de cinco estrelas do mundo por uma experiência destas todos os anos.

Com um casamento no fim de Junho em Portugal e nós branquinhos que nem lixívia, resolvemos ir uma semana antes para o nosso belo país e passar uns dias a descobri-lo. Uma vez que saí de Portugal com 18 anos confesso que ainda me falta muitooo para conhecer por este maravilhoso país.

Chegámos a Portugal no dia mais quente do ano (yeahhh) e estava simplesmente a derreter! Depois de almoço com os nossos respectivos irmãos, fomos buscar a nossa carrinha/quarto/hotel/cozinha/veículo de viagem à sede da Indie Campers.

Foi-nos dada uma carrinha acabadinha de chegar, com o design mais recente. Que sorte que tivemos!

A Bárbara foi super querida e ajudou-nos com tudo, explicou-nos como funcionava o tanque da água e da gasolina, deu-nos o nosso equipamento de surf (que não usei como era de esperar) e o material para fazer churrascos (que usei muito obviamente). Obrigada também ao Pedro, que descobri que era praticamente meu vizinho (o mundo é um bidé, como diz a minha tia) e que nos fez mega roteiro das melhores praias para visitar nos sítios onde íamos parar.

E lá fomos nós à aventura! Acabámos o dia a dar mega mergulho na Praia dos Galapinhos, na Arrábida, eleita a melhor praia do ano. Se é a melhor não sei, mas que soube bem um mergulho naquela praia ao fim do dia com 25 graus, isso soube.

Seguimos então viagem até ao nosso primeiro stop official: Porto Covo. Depois de um desvio porque Jessica Fino pôs no GPS “Porto Corvo” em vez de “Covo” e fomos parar a um café no meio do nada, chegámos aquela vila fantástica. Já era de noite quando lá chegamos, mas estava uma noite quente e ainda com alguma vida. Estacionámos a carrinha mesmo à beira mar e fomos passear. Apesar do calor desse dia, dormimos perfeitamente fresquinhos. A carrinha tem uma excelente isolação e dormi que nem uma bebé.

De manhã foi acordar, pôr o pé fora da carrinha e descer as escadas para a praia. Haverá melhor localização que esta? Acho que não.

Depois de uma manhã brutal na Praia dos Buizinhos, seguimos viagem para Mil Fontes, onde era suposto ficarmos a dormir mas depois de umas horas por lá decidimos seguir caminho para o próximo destino. Apesar de ter boas memórias de Milfontes e ser de facto muito bonito, tinha demasiada gente, e pessoas na praia a gritar “Jean Pierre, viens ici ou levas no focinho” (ficam com a ideia).

Seguimos então para Aljezur, onde fizemos umas compras e “acampámos” em Monte dos Clérigos. A ideia era jantar no restaurante de um amigo do Fábio, e assim foi. Chegámos lá e parecia que estávamos em casa. Metade das pessoas no restaurante eram conhecidas do Fábio que vieram de Santo Tirso para trabalhar no Verão. O jantar foi brutal. Mesmo à beira mar, exaustos mas felizes, bebemos uma garrafa de Muralhas e comemos um polvo divinal. Eu que não sou fã de polvo devorei aquele prato. O molho de beterraba foi uma excelente surpresa. Estava tão cansada que assim que cheguei a carrinha aterrei completamente (o vinho também pode ter contribuído). O restaurante chama-se O Sargo e recomendo mesmo mesmo vivamente.

Depois de outra noite muitooo bem dormida, acordámos desta vez ainda mais em cima da praia: a areia estava a 3 metros da carrinha. Por lá conhecemos surfistas de várias nacionalidades, pessoal que passa o verão por aquelas bandas, e muita gente que vinha ter connosco para falar sobre a nossa carrinha, ou porque já tinham alugado uma no passado ou porque estavam curiosos.

Depois de passar a manhã em Monte dos Clérigos fomos para um dos melhores sítios desta viagem: a Praia da Arrifana.

Ao chegar a Arrifana senti que tinha chegado ao destino que estava à procura. Ok, a descida para a praia é a pique, e a subida é beeem dolorosa depois de um dia de praia, mas vale tanto a pena!

O ambiente daquela praia é incrível, deu-me vontade de comprar ali uma casinha e viver ali o ano inteiro! Cheio de pessoas boa onda, parámos para almoçar no bar da praia umas belas pataniscas com arroz de tomate (o plano inicial era comer uma salada…). O nosso amigo Adolfo já tinha trabalhado naquele bar e reconhecemos o rapaz que nos atendeu do casamento dele o ano passado! (o mundo é um bidé, lá está)

Este dia na Arrifana foi dos melhores dias de praia da minha vida: água fantástica, areia quente, praia quase só para nós (tirando uma música ambiente de uns hipsters perto de nós que nos embalou para uma sesta), caminhadas à beira mar, mil mergulhos e mais uma sesta.

Esta seria a última noite pelo Alentejo/Algarve, então ao final do dia seguimos para Odeceixe, onde jantámos um franguinho assado do Pingo Doce à beira mar que nos soube pela vida.

A manhã seguinte foi passada a surfar (o Fabio) e a dormir em cima da prancha (eu). Antes de voltarmos para cima, almoçámos um peixinho grelhado fresco na aldeia de Odeceixe e bebemos uma garrafinha de vinho fresco (como o Fabio ia conduzir eu bebi dois quartos da garrafa, por isso a viagem a seguir foi muito animada para mim).

A meio da tarde chegámos à minha aldeia no distrito de Leiria, a Tremoceira. Passámos lá dois dias, e aproveitámos para passar pela praia das Paredes de Vitória, Agua de Medeiros, e no meu sítio preferido: a Nazaré.

Ora por esta altura era quinta-feira, e foi dia de subir mais um bom bocado para o Porto, onde entregámos a carrinha.  Já estava tão habituada àquela carrinha, que me custou despedir dela. Passei tão bons momentos graças a ela que a despedida foi difícil.

Rota completa numa semana:

Lisboa

Praia dos Galapinhos – Arrábida

Porto Covo

Vila Nova de Milfontes

Aljezur

Monte dos Clérigos

Arrifana

Odeceixe

Tremoceira

Paredes de Vitoria

Agua de Medeiros

Nazaré

Porto

Santo Tirso

Durante isto tudo visitámos família e amigos e fomos a um casamento em Santo Tirso!

Apesar da extensa lista de sítios que percorremos, não nos sentimos nada cansados nem stressados. Fomos nas calmas, mudámos de sítio sempre que nos apeteceu, parámos para dormir onde nos apeteceu, e pelo caminho conhecemos pessoas super boa onda e principalmente uma nova maneira de viajar!

Foi  uma experiência simplesmente espectacular que quero fazer mais vezes sem dúvida, idealmente pela Croácia ou Itália!

Recomendo vivamente passar uns dias com a Indie Campers!

Um muito obrigada ao Hugo, CEO da Indie Campers e irmão do Fabio, por nos ter emprestado a carrinha mais cool que tinha disponível. Tudo o que lhe posso dar em troca é um quarto pequenino em Londres por uns dias, mas cada um dá o que tem e pode, não é verdade?

2 commentas
  1. Foi muito bom saber todos estes pormenores da vossa viagem!! Já tenho saudades tuas!! 😘

    1. E eu tuas babe! Tens de experimentar com o Andre 🙂 e agora percebes porque nunca tenho tempo para nada, ando sempre a correr quando ai vou 😛

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