Sobre a Rússia: uma série e um livro

Tenho pensado em voltar aos meus posts sobre séries que tenho andado a ver, mas ontem acabei uma que tinha deixado para trás e sinto que vos tenho de falar sobre isto.

The Americans, uma série sobre um casal de espiões russos que se infiltra nos Estados Unidos da América, chegou ao fim em Maio depois de seis excelentes temporadas. Só ontem a acabei porque algures pela terceira temporada decidi mostrá-la ao Fábio e começar do início.

Ao mesmo tempo que devorava as últimas temporadas, lia o novo livro The Spy and he Traitor, de Ben Macintyre, que nos fala da história incrivelmente verídica do maior espião russo infiltrado no MI6 durante a Guerra Fria.

Ora estão a ver que nas últimas semana levei com uma dose de informação sobre a Russia, o KGB, a Guerra Fria, o FBI e os segredos, paranóias e jogos psicológicos característicos da época.

Ao ler o livro sobre a história de Oleg Gordievsky, que ainda hoje é vivo e reside numa localização secreta em Inglaterra, deparei-me com muitas semelhanças com a série, e foi também uma maneira de a perceber melhor.

A série teve um final incrível, dos melhores que já vi. Prova disso é que quando o ecrã escureceu eu fiquei vários minutos imóvel, a pensar no que tinha acabado de ver e no capítulo que se fechava. Fiquei a pensar na simbologia do seu final durante o resto da noite e o dia de hoje. Sem querer “spoilar” nada, a série deixamos a questionar porque torcemos durante todo este tempo por estes anti-heróis, que enganaram tudo e todos e mataram, manipularam e mentiram durante décadas, fingindo ser quem não era, por uma ideologia que já sabemos que estava condenada ao fracasso.

The Americans é das coisas mais bem feitas, e adoro que não seja uma série mainstream. É como se fosse o meu segredo mais bem guardado, e que agora escolho partilhar com vocês.

A verdade é que não sei como é que a atriz principal não ganhou um Oscar, apesar de ter estado nomeada. A última temporada especialmente foi cheia de suspense, e eu suspendi mas os meus abdominais durante todos os episódios do que numa aula de core no ginásio. Foi também a temporada em que melhor consegui estabelecer conexões com o que realmente aconteceu durante os últimos anos da União Soviética.

Estar agora a acabar de ler este livro incrível sobre o espião que tanto contribuiu para o fim da (primeira) Guerra Fria é como se fosse uma continuação da série.

Escrevo “primeira” porque há quem argumente que neste momento estamos na fase inicial de uma segunda Guerra Fria, e eu não deixo de reflectir sobre isto.

O Putin é ex-KGB e só quem lá está sabe as condições é que o povo vive naquele país em pleno 2018. Para além disso, existem os conflitos com os países à volta, e que quer impor novamente o poder, e o Putin é um homem perigosamente poderoso. Para além disso há mais do que provas suficientes para saber que os Russos influenciaram as presidenciais nos EUA e o referendo que levou ao Brexit. A relação próxima com o Trump também não deixa ninguém descansado.

Dá que pensar.

Anyway, eu queria sugerir-vos uma série e um livro e acabei por vos alertar para uma Guerra. Tão típico meu!

Boa semana.

 

Everything I Know About Love é a bíblia dos tempos modernos

Hoje venho falar-vos de um livro que li a semana passada e que saltou para um dos meus favoritos de todo o sempre.

Everything I Know About Love, da Dolly Alderton

Esta Dollyzinha lixou-me bem, porque escreveu o livro que eu sempre quis escrever. Mas provavelmente muito melhor do que eu escreveria, vá.

Mas adiante. Como é que eu descobri este livro? Neste meu exercício de me tentar integrar não só neste país mas também no meio jornalístico, passo várias horas no Twitter a encontrar pessoas novas e a tentar perceber quem devo conhecer/seguir ou não. Foi neste exercício que descobri a Dolly, e pouco tempo depois percebi que ela tinha escrito um livro. Nos dias/semanas seguintes foram aparecendo vária reviews e várias pessoas no Instagram a ler o livro, e eu decidi que tinha de o comprar. Bem, sabia lá eu e o meu livro alma gémea (isso existe?) era aquele. Devorei o livro em provavelmente menos de quatro horas. E depois fiquei com pena de o ter lido tão depressa.

Como já escreveram pelas internets, este é um livro sobre o amor à amizade. É refrescante ler uma história em que no final se vai sempre dar mais importância aos amigos que estiveram contigo ao longo de namoros, corações partidos, e tudo o mais. Chorei em duas partes: quando ela fala da irmã mais nova da melhor amiga (a quem ela dedica o livro, e não podia ter escolhido melhor dedicatória) e, no final, o agradecimento à sua própria melhor amiga. Sem ela nenhuma destas histórias fariam sentido. De facto quando olhamos para trás, independentemente dos amores e desamores que passámos, o que nos lembramos é das pessoas que estiveram ao nosso lado, a ajudar-nos a enviar a resposta perfeita, a fazer a cobertura dos nossos pais, a proibir-nos de ver mais aquela pessoa que nos faz mal, a amparar as nossas quedas e a celebrar as nossas conquistas.

No seu livro, Dolly mostra o quão importante as amizades são, e alerta-nos para nunca nos esquecermos dos amigos mesmo na fase cor-de-rosa das relações, pois os amigos são aqueles que estão sempre connosco independentemente do que acontecer. Hoje em dia e já em adultos há muita pessoa a fazer isto.

Mas mais do que as lições que o livro nos dá, é a viagem nostálgica que ela faz à nossa juventude. Se nasceste no final dos anos 80 ou nos 90, vais-te identificar com tanta coisa que parece que estas a falar com a tua própria melhor amiga. Começa logo pelas conversas no messenger, onde passávamos horas (ou dias) a falar com alguém, em que mudávamos os nossos nicknames, pondo músicas a tocar para aparecer no nosso estado, etc.

Vai até anos mais tarde, desde a sua primeira casa em Londres com as amigas, em que nem sempre tudo corre bem, às house parties falhadas, ao dinheiro mal gasto, aos táxis desnecessários, às horas gastas em pubs, à quantidade de dates falhados e relações erradas. Quem nunca, gente, quem nunca.

Eu não cresci em Londres e foi-me muito útil perceber a educação dos ingleses para perceber porque são como são. A educação da Dolly foi em colégios só de raparigas, em que estas cresceram com a fantasia que os rapazes eram algo extraordinário e divinal. Se tivessem crescido como nós, tudo misturado, tinham-se percebido mais cedo que os rapazes da nossa idade são imaturos e a maior parte do sexo masculino muitas vezes não merece a nossa dedicação (sorry boys).

O facto de falar das suas sessões na psicóloga e tão importante nos dias de hoje, para percebermos que não há nada de errado em conversar com alguém profissional sobre as nossas ansiedades e medos.

Mas a razão por que escrevo esta review hoje é porque é Dia da Mulher e este livro devia de ser lido por todas as miúdas, raparigas e mulherzinhas para não se esquecerem que não há nada mais poderoso numa mulher do que ser dona de si própria e não precisar de um homem para se sentir feliz. Acho que a conclusão deste livro é que, desde que tenhamos gente à nossa volta que amamos, o resto vem por acréscimo. O livro acaba da melhor maneira possível, dizendo que a sua melhor história de amor é a com a sua melhor amiga, e eu acho isso uma beleza incrível. Eu tenho a sorte de ter várias histórias de amor, mesmo aquelas que não acabaram bem. Tenho a sorte de ter histórias de amor com amigas (e amigos) que tenho a certeza que nunca vão ter um fim feliz porque a palavra “fim” não existe no nosso vocabulário.

Neste dia das mulheres, quero mandar todo o amor do mundo às minhas melhores histórias de amor. A todas as minhas amigas com quem não estarei hoje, mas a quem eu abraço com tanta força quando vou embora, tentando, nesse abraço, englobar todos os dias perdidos em que não estamos juntas, e abafar toda a saudade. Vocês sabem quem são.

Obrigada Dolly por esta bíblia dos tempos modernos. Neste momento o livro anda a circular entre as minhas colegas, mas ter-lo-ei para sempre na minha mesinha de cabeceira, e enquanto o tiver sei que não estou sozinha nesta luta contra a ansiedade, neste medo de falhar, medo de não ser amada, de não estar a viver a vida ao máximo, neste medo de não ser boa o suficiente. Enquanto o tiver e o puder reler, saberei que não estou sozinha nesta constante aprendizagem do que é o amor, e que ninguém o merece mais do que nos próprias.

Feliz dia da mulher, meninas. Temos muita sorte em sermos esta raça extraordinária, complexa, fascinante. Amem-se umas às outras (como Deus vos amou. Lol. Brincadeirinha).

Terças com Morrie

Uma das minhas grandes paixões é a leitura. Mesmo anos antes de aprender a ler, o meu brinquedo favorito (ou único, até), eram livros. Passava horas a fingir que sabia ler as palavras, inventando histórias com as imagens que via. A minha mãe conta-me que as pessoas pensavam que eu já sabia ler, tal era a minha convicção com que declamava as minhas histórias.

Nestes últimos tempos tenho investido em ler livros em inglês, o que não é nada fácil mesmo quando o teu inglês é mais avançado. É mais difícil estares concentrada e não passar frases à frente, há sempre palavras que não conheces e tens de parar para ir ver o significado ou passas à frente rezando que não seja importante para a história.

No entanto, este livro que vos vou falar hoje foi dos mais fáceis que li até hoje em inglês, razão pela qual li em dois dias durante a minha viagem para o trabalho e de volta para casa no comboio (que demora cerca de 35 minutos).

Terças com Morrie foi recomendado por uma colega de trabalho que me disse que tinha sido um dos livros mais triste que ela já leu na vida, e que se fartou de chorar. Eu que tenho uma queda para ler coisas mais triste porque são (ironicamente) as mais bonitas (os humanos adoram desgraça), fui logo comprar.

Apesar de estar sempre à espera de começar a chorar por causa da minha colega, li o livro inteiro sem chorar, mas foi daqueles livros que me tocou na alma. Se na última Terça eu não tivesse apertada contra três pessoas no comboio, talvez tivesse deitado aquela lágrima.

Pois bem a história é sobre um rapaz jornalista (não é sempre?) que teve um professor muito especial na universidade com quem se tornou amigo. Quando terminou o curso, prometeu manter o contacto com o seu querido mentor, mas life happens e passaram mais de 15 anos. Até que  Mitch vê o seu professor Morrie na televisão, numa reportagem sobre a sua doença ( Esclerose Lateral Amiotrófica) que o vai matar. A partir daí, Mitch tenta recuperar o tempo perdido ao encontrar-se com Morrie todas as Terças-feiras, tal como faziam durante os tempos de faculdade.

Durante várias Terças-feiras os dois homens encontram-se em casa de Morrie, e nós vamos assistindo à sua degradação perante esta doença ao mesmo tempo que vemos Morrie cada vez mais tranquilo face ao seu destino.

Morrie e uma inspiração e estas Terças são uma lição para todos nós. Morrie diz-nos para aproveitarmos a vida, aceitando a sua enfermidade, aceitando que o tempo dele ser jovem e saudável já passou. Ele aceita que vai morrer e está em paz com isso. Ele relembra Mitch que a vida não pode ser só trabalho, que não vale a pena vivermos pegados a coisas ou com rancor para com os outros. Porque na hora da nossa morte, o que restam são as memórias, os bons momentos e as pessoas que amamos. Ele relembra-nos da importância que é ter alguém ao nosso lado nos maus momentos, e quanto os devemos apreciar nos bons momentos.

Enfim, este livro dá-nos muitas lições importantes mas eu não vou estar aqui a contar-vos todas porque vocês tem é de ler e aprender essas lições ao vosso tempo.

Acho que este livro foi importante para mim porque me fez reflectir no tempo que desperdiço em merdices, seja a olhar para o feed do Instagram, seja a reviver conversas na minha cabeça e a pensar no que devia ter dito e não disse. Fez-me também repensar nas minhas prioridades, no que me falta atingir como pessoa e se estou a viver a minha vida na melhor e mais verdadeira maneira possível.

O livro que eu li foi em inglês e recomendo vivamente ler este livro nesta língua para aqueles que querem aprender ou praticar o inglês, visto que a linguagem é mesmo mesmo acessível. Ou então o livro está também disponível em português.

Boas leituras 🙂

PS – Gostei tanto do livro que fiquei curiosa para ler mais livros do Mitch Albom. Já me recomendaram “As Cinco Pessoas Que Encontramos no Céu” e acho que vai ser a minha próxima aposta.