Séries que valem mesmo a pena ver

Agora que já não há bola e enquanto as férias de Verão não chegam, achei que era uma boa altura para recapitular nas séries que vi nos primeiros seis meses do ano de 2019, e dizer-vos o que vale a pena ver! Quem é amiga quem é? Ah pois.

Então vamos lá embora:

Killing Eve – A segunda temporada já rebentou e eu ainda não a vi. Devorámos a primeira temporada demasiado rapidamente e depois fiquei cheia de saudades da Villanelle (brilhantemente enterpretada pela gostosona da Jodie Comer). Está uma serie super bem feita, que nos prende ao ecrã e nos faz viajar por várias cidades europeias e por vários sotaques muito bem feitos pela atriz que afinal é de Liverpool apesar de parecer mesmo Russa na série.

Fleabag – Phoebe Waller-Bridge, a mesma pessoa que criou e escreveu Killing Eve, faz de Fleabag (na realidade nunca é revelado o nome da personagem), uma rapariga solteira que vive em Londres e é dona do seu próprio café. A série está super bem escrita, passei todos os episódios a rir à gargalhada como já não ria há muito tempo, mas também tem muitoooos momentos que me fazem encolher toda por ser tão awkward. Acho que é uma série com o humor mesmo característico britânico. As personagens são cruas, más, honestas, e apesar de fazerem coisas horríveis, adoro-as!

Years & Years – não, não é a banda. É mesmo a nova mini serie da BBC que comecei a ver por acaso e criou logo mais umas insónias e/ou pesadelos neste meu complexo ser. É uma espécie de Black Mirror mas muitooo possível mesmo. Passa-se em Inglaterra e num episódio o tempo anda cerca de 15 anos. Mostra-nos um mundo a atravessar mais uma crise financeira, a lidar (ou não) com o problema dos refugiados, com os efeitos da governação do Trump e conflitos entre Rússia, China, etc. Ainda só vi metade dos episódios e estou completamente viciada… e assustada. É uma ótima série para combater a natalidade haha

Broad City – Esta minha série do coração acabou em Março e só este mês é que tive coragem de a acabar. Conta a vida de duas amigas em Nova York a tentar sobreviver naquela cidade. É uma espécie de Sex and the City para os millennials. Aquelas duas só fazem merda e são super engraçadas. É assim mais ‘silly’ mas muito bem feita.

Catastrophe – Dissemos adeus a Catastrophe em Fevereiro e já tenho tantas saudades! Foi dos melhores últimos episódios que já vi numa série e tenho mesmo pena que não haja mais. Mais uma vez era uma série com uma comédia muito crua, muito depreciativa e muito real. As séries que decorrem em Londres fascinam-me porque posso ir identificando os sítios, adivinhando onde as cenas foram filmadas etc, e adorei todos os locais escolhidos nesta história.

Game of Thrones – E falando em fins, eu não ia mencionar GoT porque quem via a série já viu o final e quem não viu não deve começar a ver agora. Esta última temporada enfureceu-me um bocado de tão escrita em cima do joelho que foi, mas tivemos aquele episódio fortíssimo da guerra contra os mortos e tivemos um último episódio que, não sendo espectacular, deu uma sensação de fim e deu para soltar aquela lágrima marota. Achei que o pessoal estava demasiado obcecado e piquinhas com esta temporada, estava tudo a fazer um drama do caraças com cada episódio. E eu sou grande viciada também, mas achei que algumas pessoas podiam relaxar um bocado. E só uma série, afinal! Se bem que uma série do caraças que nos fez feliz (ou miseráveis mas em bom) durante vários anos.

Line of Duty – os Ingleses andavam meio loucos com isto e, apesar de não ter visto as temporadas anteriores e ter perdido algumas referências pelo meio, resolvi ver esta última temporada. Sinceramente o que tenho a dizer é o que o Fábio diz quando lhe faço alguma pergunta/lhe peço uma opinião e ele não esta nem ai: “está-se bem”. É bom entretenimento e tem ali momentos de suspense, mas já vi coisas melhores.

Sex Education – Daquelas séries do Netflix que se começa a ver naquela, sem grande expectativa, e depois papas tudo a eito. Grande review intelectual, han? Já posso ir trabalhar para o Público. Agora a sério, é uma boa série para ver no sofá ao fim de semana. Tem piada, tem excelentes actores, e aborda a sexualidade na adolescência de uma maneira bem feita.

Dead to me – Outra série da Netflix. Está muito engraçada. Também a vimos num fim de semana e viu-se mesmo bem. Entretanto já foi confirmada uma segunda temporada.

Knock Down the House – Ok ok estou a fazer batota, não é uma série, mas sim um documentário. Eu já era grande fa da Alexandria Ocasio-Cortez mas depois disto fiquei ainda mais. Acabei o episódio a chorar banho e ranho e cheia de vontade de mudar o mundo (mas depois provavelmente fui mas é meter uma máquina de roupa a lavar ou assim)

What/if – vê-se bem a um Domingo enquanto ressacamos, mas é um bocado previsível e cliché.

My Next Guest Needs No Introduction– ainda só vi dois episódios da nova temporada – a do Kanye West e a da Ellen Degeneres. A entrevista da Ellen surpreendeu-me. Não sou propriamente fã dela mas achei uma entrevista super interessante, em que falou da sua carreira, de abusos que sofreu de um padrasto e do arrependimento por não ter sido mais forte para o denunciar. Já o Kanye… eu estava com a mente aberta e disposta a dar-lhe uma oportunidade, e ele até começou bem. Gostei de o ouvir falar sobre os seus problemas mentais, sobre a perda da mãe e algumas coisas que disse sobre a indústria do rap. Mas a determinada altura aquilo descarrilou. Começou a dizer que agora os homens coitadinhos vivem com medo de serem acusados de assédio por tudo e por nada, começou a defender os que votaram no Trump (embora admitindo que nunca votou na vida – provando que não tem credibilidade para falar de política, e que é um péssimo exemplo para os milhares de fãs que o seguem). Palmas para o Letterman que lhe respondeu à letra e o desafiou naquela parte dos homens viverem com medo, dizendo que se os homens têm medo, imagine então as mulheres que passam pelas coisas.

The Marvelous Mrs. Maisel – Que série tão boa, tão bem escrita, tão bem feita. Trata-se de uma dona de casa em Nova York nos anos 50 que se apercebe que tem mesmo piada e começa a fazer stand-up em clubes da cidade. Esta segunda temporada não está tãooo boa como a primeira e irritou-me um bocadinho a personagem ter ido de férias 3 meses quando estava no auge da sua carreira, mas epa vejam. O guião está brilhantemente escrito e os cenários e as roupas muito bem feitos.

Grey’s Anatomy – Eu sei que neste momento estão a revirar os olhos, mas calma. Esta última temporada teve episódios muito bons, especialmente o episódio ‘Silence all these years’ em que retratou um caso de violação brilhantemente. Dos melhores episódios de todos os 15 anos (!!!) desta série.

Handmaids Tale – Vamos todos respirar fundo. A serie volta AMANHÃ e eu já estou aqui num estado de nervos que só visto. A temporada anterior acabou em altas e o trailer desta nova temporada está só incrível. Se ainda não viram esta série enterrem-se e não voltem a desenterrar-se até terem visto tudo. Melhor série dos últimos anos, arriscaria a dizer.

Big Little Lies – Outra grande série que está quaseeee de regresso. Não sei se esta nova temporada vai conseguir estar ao nível da anterior, mas uma pessoa vai ver e avaliar. Recomendo bastante.

E pronto neste momento acho que é só. Hoje vou continuar a ver Years & Years e quero muito ver Chernobyl. Digam-me o que acharem destas series mencionadas acima se já as viram e façam o favor de recomendarem mais porque como podem verificar eu até nem vejo muita televisão ah ah ah

Image credit: Hulu 2019

Os últimos seis meses

Já não escrevia fora do meu trabalho há muito tempo. Tanta coisa se passou desde a última vez, a vida não pára e todos os dias são uma montanha russa, e o tempo passa e o momento nunca parece o mais certo.

No entanto, há cerca de uma semana atrás encontrei uma troca de emails com uma amiga de há sete anos atrás, meses depois de ter vindo morar para Londres. Li os nossos emails com um sorriso nos lábios. Tanta coisa tinha mudado desde então, mas as miúdas que éramos continuava ali entre linhas, e a amizade continuava lá toda.

Parei de escrever no blogue não há sete anos mas há já vários meses e nem sei porquê. Desde então algumas coisas aconteceram desde então: fiquei noiva. Despedi-me. Comecei um novo trabalho.

Gostava de nos falar desde primeiro acontecimento que mencionei. Como sabem as pessoas que me conhecem, nunca foi um sonho meu casar-me, mas o corajoso do meu namorado decidiu arriscar e pedir-me em casamento da maneira mais bonita que eu poderia ter imaginado: num barco debaixo da ponte de Brooklyn, durante a minha viagem de sonho.

As nossas férias em Nova York já estavam a ser memoráveis, e o pedido no penúltimo dia nesta aventura foi mesmo a cereja no topo do bolo. Desde pequenina que sonhava em ir a NY mas pensava que isto não iria acontecer tão cedo. Foram dos dias mais felizes da minha vida, onde andamos kilómetros sempre sem horários nem pressa, a viver a cidade que sempre idealizei conhecer.

Diamond in the sky

 

Aquela viagem de barco foi a surpresa mais especial que já alguém me preparou. E agora, quase seis meses depois, digo que o mais especial para mim disto tudo foi o amor que foi preciso ter por mim para preparar tudo isto, desde a escolha personalizada do anel, ao planeamento da tour privada de barco, da logística de andar com o anel de Londres para Nova York, de casa da nossa amiga em New Jersey para o Airbnb em Brooklyn, até chegar o derradeiro dia.

Nunca pensei ter alguém que estivesse disposto a fazer isto tudo por mim, quanto mais alguém que de livre vontade quisesse assegurar-se que isto que temos é para a vida.

E por isto tudo eu disse que sim. E se nunca idealizei casar-me, a verdade é que o planeamento tem sido uma fase super gira e que me tem dado bastante gosto. É nesta fase que me apercebo ainda mais da pessoa que tenho ao meu lado, alguém que quer fazer parte de tudo, que se preocupa com muitos mais pormenores do que eu.

A vida realmente tem mais piada quando é partilhada, e nestes últimos dias em particular, que têm sido tão desafiantes e intensos, agradeço ter alguém à minha espera de braços abertos quando chego a casa.

Quando uma pessoa muda de trabalho muda também de vida. Durante os últimos três anos e meio trabalhei numa revista escrevendo sobre economia e finança. E eu adorava o meu trabalho, era das pessoas mais envolvidas na empresa, tendo criado o clube de leitura e fazendo parte do comité social (o pessoal que organiza as festas da empresa e tal). Mas já não me estava a sentir desafiada e a semana passada disse adeus aquela que era a minha família inglesa. Não foi uma decisão fácil mas foi necessária.

O meu último dia foi maravilhoso. Passaram o dia a tentar fazer-me chorar. Houve discursos, recebi imensas lembranças, cartas, mensagens, tive imensos almoços de despedida nas últimas semanas de trabalho e saí dali de coração apertado mas cheio, agradecida de tudo o que alcançei nestes últimos anos e das amizades que criei. Ainda hoje me emociono com o facto de podermos criar amizades tão fortes com pessoas que não partilham a mesma lingua, o mesmo background, a mesma cultura ou religião.

O Fábio foi à minha festa de despedida e adorei ver a forma como todos o trataram, como se também fosse família deles por terem ouvido tantas histórias sobre eles, sobre nós, ao longe destes anos. Quando íamos embora ele ainda me deixou mais com o coração nas mãos ao dizer: “eles gostam tanto de ti, não vais ficar cheia de saudades deles?”

Devia de tentar perceber porque é que estou sempre a ir embora de ao pé das pessoas que me querem bem…

Ainda não posso falar muito do meu novo trabalho porque hoje foi o meu terceiro dia, mas têm sido dias imensamente desafiantes, onde já aprendi imenso, paniquei bastante, mas percebi que era mesmo isto que estava a precisar.

To be continued…

Sobre a Rússia: uma série e um livro

Tenho pensado em voltar aos meus posts sobre séries que tenho andado a ver, mas ontem acabei uma que tinha deixado para trás e sinto que vos tenho de falar sobre isto.

The Americans, uma série sobre um casal de espiões russos que se infiltra nos Estados Unidos da América, chegou ao fim em Maio depois de seis excelentes temporadas. Só ontem a acabei porque algures pela terceira temporada decidi mostrá-la ao Fábio e começar do início.

Ao mesmo tempo que devorava as últimas temporadas, lia o novo livro The Spy and he Traitor, de Ben Macintyre, que nos fala da história incrivelmente verídica do maior espião russo infiltrado no MI6 durante a Guerra Fria.

Ora estão a ver que nas últimas semana levei com uma dose de informação sobre a Russia, o KGB, a Guerra Fria, o FBI e os segredos, paranóias e jogos psicológicos característicos da época.

Ao ler o livro sobre a história de Oleg Gordievsky, que ainda hoje é vivo e reside numa localização secreta em Inglaterra, deparei-me com muitas semelhanças com a série, e foi também uma maneira de a perceber melhor.

A série teve um final incrível, dos melhores que já vi. Prova disso é que quando o ecrã escureceu eu fiquei vários minutos imóvel, a pensar no que tinha acabado de ver e no capítulo que se fechava. Fiquei a pensar na simbologia do seu final durante o resto da noite e o dia de hoje. Sem querer “spoilar” nada, a série deixamos a questionar porque torcemos durante todo este tempo por estes anti-heróis, que enganaram tudo e todos e mataram, manipularam e mentiram durante décadas, fingindo ser quem não era, por uma ideologia que já sabemos que estava condenada ao fracasso.

The Americans é das coisas mais bem feitas, e adoro que não seja uma série mainstream. É como se fosse o meu segredo mais bem guardado, e que agora escolho partilhar com vocês.

A verdade é que não sei como é que a atriz principal não ganhou um Oscar, apesar de ter estado nomeada. A última temporada especialmente foi cheia de suspense, e eu suspendi mas os meus abdominais durante todos os episódios do que numa aula de core no ginásio. Foi também a temporada em que melhor consegui estabelecer conexões com o que realmente aconteceu durante os últimos anos da União Soviética.

Estar agora a acabar de ler este livro incrível sobre o espião que tanto contribuiu para o fim da (primeira) Guerra Fria é como se fosse uma continuação da série.

Escrevo “primeira” porque há quem argumente que neste momento estamos na fase inicial de uma segunda Guerra Fria, e eu não deixo de reflectir sobre isto.

O Putin é ex-KGB e só quem lá está sabe as condições é que o povo vive naquele país em pleno 2018. Para além disso, existem os conflitos com os países à volta, e que quer impor novamente o poder, e o Putin é um homem perigosamente poderoso. Para além disso há mais do que provas suficientes para saber que os Russos influenciaram as presidenciais nos EUA e o referendo que levou ao Brexit. A relação próxima com o Trump também não deixa ninguém descansado.

Dá que pensar.

Anyway, eu queria sugerir-vos uma série e um livro e acabei por vos alertar para uma Guerra. Tão típico meu!

Boa semana.

 

A caminho do concerto dos Arctic Monkeys

Esperei uma década para dizer isto. Hoje vou ouvir ao vivo a banda sonora da minha juventude. Dancei Brainstorm na apresentação final da aula de dança com a minha amiga Carolina e o meu primo Costa. Já éramos revolucionários. Partimos a loiça toda. Não sei se fico bem no Dancefloor, mas cresci com Dancing Shoes. Passei horas a questionar-me se R U Mine, e perguntando-me se Do I Wanna Know.

Vários anos mais tarde, cliquei no novo single Tranquility Base Hotel + Casino minutos depois de sair. Saí de uma reunião de trabalho para comprar estes bilhetes, que foram muito difíceis de arranjar, e quase que chorava quando os consegui, sob o olhar acusatório do meu patrão.

Hoje vou conhecer o meu amigo Alex, voz dos meus pensamentos, certezas e incertezas, soundtrack das horas de estudo, das viagens de autocarro, tardes de praia, dias secantes trancada no quarto a imaginar tudo o que um dia eu poderia ser e vir a fazer.

When the Sun Goes Down hoje à noite, (e mesmo suspeitando que não vão tocar esta), vou agradecer por mais um sonho realizado. O primeiro de alguns que vou realizar este mês.

E não me estou a gabar gente, estou mesmo feliz. Para mim a vida é o conjunto destes momentos. É isto que dá gosto à vida. Porque um dia quando olhar para trás são estes momentos que me vou lembrar. Aquela cave d IEJ onde praticámos aquelas coreografias horas a fio, ou a noite de hoje na O2 arena onde já vi bandas como Radiohead e Florence and the Machine. Não as 60 libras que pouparia se ficasse em casa ou os likes no Instagram que ia distribuir enquanto aborrecida no sofá. Isso fica para amanhã.

Viver à pressa

Passamos os dias a desejar o fim de semana, à espera da Sexta-feira, à espera que cada dia passe mais rápido, e depois lamentamo-nos que aqueles dois dias passaram demasiado rápido.

Fazemos planos que não se realizam, ficamos por marcar aquele copo que nunca acontece, adiamos aquela limpeza a fundo da casa, aquela ida ao Ikea, aquele telefonema à amiga que já não falamos há muito tempo.

Vivemos com medo de desperdiçar o nosso tempo, de querer viver a vida ao máximo, e desejamos que os dias da semana “passem rápido”, na ânsia de melhores dias. Mas por que ter pressa, se este pode ser o nosso último dia? E se o nosso último dia for uma Sexta-feira e passámos a semana toda a contar os dias para o Sábado chegar? O Sábado pode nunca chegar, já viram?

Ficamos chateados se temos de esperar vários minutos pelo metro, aborrecemo-nos no trabalho que temos tanta sorte em ter, não temos paciência para as reuniões, despachamos os telefonemas, contamos os minutos para chegar a casa para vermos cinco horas de Netflix.

Vivemos à espera de algo melhor que está ao virar da esquina, como se o facto de estarmos aqui, neste momento, não fosse só por si uma sorte.

Fazemos planos mas cancelamos se nos apetecer ou se uma proposta melhor aparecer. Não nos comprometemos com nada com medo de ficarmos presos a um plano que nos venhamos a arrepender. Queremos viver e conhecer tudo mas gastamos o nosso dinheiro em jantares, cafés take away e sapatilhas de marca.

Queremos ir a sítios para fazer o “check” na nossa wishlist, porque lemos artigos a dizer “Sítios que tem de ir antes dos 30”, e se chegarmos aos 30 sem lá ir, estamos a falhar na vida e não estamos a vivê-la ao máximo.

Vivemos a correr sem pensarmos que quando cruzarmos a meta, a corrida acaba.

Mas o medo de não passar pelos sítios todos deste trajeto enquanto há tempo assusta-nos, e muitas vezes queremos correr mais depressa que os outros, ou pelo menos ao ritmo que achamos que devíamos estar a correr. Temos medo de o tempo acabar e a corrida ainda ir a meio. Queremos ver tudo e chegar a todo o lado, arriscando dar um passo maior que a perna.

E com esta ânsia de querer viver tudo, esquecemo-nos de apreciar o que nos rodeia, e apreciar as conquistas durante o percurso.

A parede do escritório do meu namorado tem uma frase que me deixa a pensar cada vez que lá passo: “The journey is the reward”.

Hoje é Quarta-feira, e que sorte temos nós de estar cá para vivê-la.

 

(Este texto é para o meu inconsciente também, que vive numa ânsia de querer viver tudo saber tudo conseguir tudo, e eu preciso muitas vezes de parar e apreciar o que consegui até hoje, que de facto foi mais do que alguma vez pensei conseguir nesta idade.)

Somos mulheres, não mulheres a dias

Acho que as pessoas andam muito frustradas com o movimento feminista graças a grupos que, com todas as suas boas intenções, se tornaram demasiado radicais e extremistas. E isso é triste porque ainda há tanto trabalho a fazer.

Só hoje, o banco HSBC revelou que os homens que lá trabalham são pagos 60% mais que as mulheres. Isto é parcialmente explicado por três quartos das posições mais altas serem ocupadas por homens, e a maior parte das posições mais juniores serem ocupadas por mulheres.

No mesmo dia, a minha mãe acaba de me contar que um homem matou à facada uma mulher que quis acabar o relacionamento extra-conjugal que estes tinham. E diz-me que todos os dias há notícias de homens a matar mulheres em Portugal.

Estas situações, uma mais grave que a outra, é verdade, são apenas dois exemplos pelos quais é tão importante lutarmos pelos direitos das mulheres. O que as pessoas têm de perceber é que o feminismo não é o pensamento que as mulheres são melhores que os homens, mas sim uma luta para que não haja diferença.

E a luta para que todos os pensamentos misóginos sejam coisa do passado. Eu luto todos os dias para que isto aconteça, e todas as mulheres e todos os homens deviam fazer o mesmo.

Não podia ser de outra maneira, e se fosse não estaríamos juntos, mas o meu namorado entende perfeitamente que o facto de eu ser mulher não significa que tenha de ser eu a passar a ferro, a cozinhar, ou a limpar a casa. Todas as tarefas domésticas são responsabilidade dos dois. Para choque de toda a população, eu não lhe passo as camisas a ferro, e todas as semanas ele passa a sua roupa a ferro enquanto eu faço as minhas coisas, ou me sento no sofa a ler ou a conversar com ele. A minha avó acha isto mal, mas eu apenas lhe digo “se nem a minha roupa passo a ferro, por que iria passar a dele?”.

Mas isto também funciona para os dois lados. Eu não espero que ele pague a renda toda (era bom era), nem espero que ele pague os jantares fora. Se ele quiser pagar, eu aceito e agradeço, mas é possível que na semana a seguir seja eu a pagar. (Ele vai ver isto e dizer que isto nunca acontece, mas ele sabe que é apenas porque sou forreta e sempre tesa. Eu paguei-lhe uma viagem a Paris, não há nada menos machista que isso). Não devia ser uma obrigação ser o homem a pagar, a igualdade não funciona só para um lado.

Este assunto da igualdade e da discriminação tem-me andado na cabeça há vários dias desde que me deparei com a notícia que o município da minha terra teve a excelente iniciativa de organizar uma entrega de prémios para mulheres que se destacam na sociedade, pedindo a cada freguesia para eleger uma, duas out três mulheres que se destaquem em cada área. Para meu espanto, a minha freguesia escolheu não eleger nenhuma mulher, sendo a única a não o fazer.

Não me surpreende que ninguém tenha dito nada sobre isto. Sendo um núcleo pequeno em que se precisa de favores e cunhas para tudo, incluindo ter saneamento e estradas pavimentadas (com estes “favores” apenas sendo satisfeitos meses antes das eleições….), não convém criticar os representantes, porque são eles que controlam se tens água ou luz em casa (século XXI ou IXX?).

Mas alguém tem de falar, e contestar, e fazer perguntas. Esse alguém pode muito bem ser eu, primeiro porque nem sequer vivo lá já vai fazer sete anos, e segundo porque não quero muito saber o que os outros pensam de mim. Ainda ontem estive numa reunião com dois partners da maior empresa e consultoria para falar sobre estes assuntos, e tenho escrito imensos artigos que mostram como as empresas ainda têm muito trabalho pela frente. E se uma miúda estrangeira de 24 anos não tem medo de enfrentar esta malta, mais ninguém devia ter.

Na minha publicação no Facebook sobre isto, ironizei sobre o facto de que não encontraram nenhuma mulher digna de ser reconhecida, e da forma como, nos dias de hoje, a minha freguesia ainda organiza jantares apenas para homens. Disse que era óbvio que estas decisões eram feitas porque eram homens a fazê-las. A falta de representação feminina nas nossas autarquias é chocante, diga-se de passagem, e esse é parte do problema.

O que me irrita é saber por várias fontes seguras que a minha freguesia escolheu não entregar este prémio simbólico por razões políticas, por não ter a coragem de enumerar duas ou três mulheres com medo de ofender outras. E essa razão é ainda pior do que não se dar ao trabalho, porque significa que os nossos representantes pensam que as mulheres são de tal maneira invejosas que não conseguiriam lidar com o facto de outras serem homenageadas e elas não. Por esse pensamento, ninguém recebia prémio nenhum, com medo de ofender os outros concorrentes.

Mas um dos problemas disto é que as mulheres têm medo de falar, e sentem que não são bem vindas nestes jantares porque “só vão homens”, e os cafés e clubes destas terras são vistos como “só para homens”. Quantas vezes fui olhada de lado por sair para sítios vistos como “para homens” (e estou a falar de simples cafés, não de casas de alterne).

Adorava que as mulheres se soltassem um bocadinho e começassem a sair durante a semana como os homens fazem, a ir beber um copo antes do jantar, e chegarem a casa e terem o jantar à espera delas feito pelos homens. Conseguem imaginar esta loucura? Era incrível, não era?

Tanta coisa precisa de mudar. Mas enganem-se que apenas os homens precisam de mudar. Nós também precisamos de o fazer. Nós nascemos todos iguais. Nascer mulher não significa que temos de ser nós a lavar a roupa, a fazer o jantar, ou a limpar a casa.

Os homens deviam, nos dias de hoje, ter a iniciativa de pôr a roupa a lavar se vêem o cesto cheio, ou de cozinhar se vêem que está na hora de jantar. E as mulheres também têm de lhes dar o espaço para isso, e não tratar a cozinha ou a lavandaria como o seu território e o seu dever exclusivo. Não é o nosso dever exclusivamente. É o dever dos dois. E já agora, também o dever dos vossos filhos. Especialmente se eles tem 30 anos e ainda vivem em vossa casa. Não lhes estão a fazer nenhum favor a mimá-los dessa maneira, e nenhuma mulher moderna os vai querer se chegam a essa idade sem saberem meter roupa a lavar ou bifes a grelhar.

Outra coisa que precisa mesmo de mudar é a forma como nos tratamos uma às outras. Nós somos as maiores criticas a nós próprias e às outras, e para além de não ser bonito não é um bom exemplo para a próxima geração.

Não me chamem revoltada por favor, porque eu não sou revoltada ou frustrada por acreditar numa sociedade em que o meu género não me deve definir, ou impedir de fazer ou ser aquilo que eu quiser.

Acho que todos precisamos de olhar à nossa volta e pensar que a mudança tem de vir de todos nós, mulheres e homens.

Beijinhos, boa Sexta-feira e divirtam-se.

Everything I Know About Love é a bíblia dos tempos modernos

Hoje venho falar-vos de um livro que li a semana passada e que saltou para um dos meus favoritos de todo o sempre.

Everything I Know About Love, da Dolly Alderton

Esta Dollyzinha lixou-me bem, porque escreveu o livro que eu sempre quis escrever. Mas provavelmente muito melhor do que eu escreveria, vá.

Mas adiante. Como é que eu descobri este livro? Neste meu exercício de me tentar integrar não só neste país mas também no meio jornalístico, passo várias horas no Twitter a encontrar pessoas novas e a tentar perceber quem devo conhecer/seguir ou não. Foi neste exercício que descobri a Dolly, e pouco tempo depois percebi que ela tinha escrito um livro. Nos dias/semanas seguintes foram aparecendo vária reviews e várias pessoas no Instagram a ler o livro, e eu decidi que tinha de o comprar. Bem, sabia lá eu e o meu livro alma gémea (isso existe?) era aquele. Devorei o livro em provavelmente menos de quatro horas. E depois fiquei com pena de o ter lido tão depressa.

Como já escreveram pelas internets, este é um livro sobre o amor à amizade. É refrescante ler uma história em que no final se vai sempre dar mais importância aos amigos que estiveram contigo ao longo de namoros, corações partidos, e tudo o mais. Chorei em duas partes: quando ela fala da irmã mais nova da melhor amiga (a quem ela dedica o livro, e não podia ter escolhido melhor dedicatória) e, no final, o agradecimento à sua própria melhor amiga. Sem ela nenhuma destas histórias fariam sentido. De facto quando olhamos para trás, independentemente dos amores e desamores que passámos, o que nos lembramos é das pessoas que estiveram ao nosso lado, a ajudar-nos a enviar a resposta perfeita, a fazer a cobertura dos nossos pais, a proibir-nos de ver mais aquela pessoa que nos faz mal, a amparar as nossas quedas e a celebrar as nossas conquistas.

No seu livro, Dolly mostra o quão importante as amizades são, e alerta-nos para nunca nos esquecermos dos amigos mesmo na fase cor-de-rosa das relações, pois os amigos são aqueles que estão sempre connosco independentemente do que acontecer. Hoje em dia e já em adultos há muita pessoa a fazer isto.

Mas mais do que as lições que o livro nos dá, é a viagem nostálgica que ela faz à nossa juventude. Se nasceste no final dos anos 80 ou nos 90, vais-te identificar com tanta coisa que parece que estas a falar com a tua própria melhor amiga. Começa logo pelas conversas no messenger, onde passávamos horas (ou dias) a falar com alguém, em que mudávamos os nossos nicknames, pondo músicas a tocar para aparecer no nosso estado, etc.

Vai até anos mais tarde, desde a sua primeira casa em Londres com as amigas, em que nem sempre tudo corre bem, às house parties falhadas, ao dinheiro mal gasto, aos táxis desnecessários, às horas gastas em pubs, à quantidade de dates falhados e relações erradas. Quem nunca, gente, quem nunca.

Eu não cresci em Londres e foi-me muito útil perceber a educação dos ingleses para perceber porque são como são. A educação da Dolly foi em colégios só de raparigas, em que estas cresceram com a fantasia que os rapazes eram algo extraordinário e divinal. Se tivessem crescido como nós, tudo misturado, tinham-se percebido mais cedo que os rapazes da nossa idade são imaturos e a maior parte do sexo masculino muitas vezes não merece a nossa dedicação (sorry boys).

O facto de falar das suas sessões na psicóloga e tão importante nos dias de hoje, para percebermos que não há nada de errado em conversar com alguém profissional sobre as nossas ansiedades e medos.

Mas a razão por que escrevo esta review hoje é porque é Dia da Mulher e este livro devia de ser lido por todas as miúdas, raparigas e mulherzinhas para não se esquecerem que não há nada mais poderoso numa mulher do que ser dona de si própria e não precisar de um homem para se sentir feliz. Acho que a conclusão deste livro é que, desde que tenhamos gente à nossa volta que amamos, o resto vem por acréscimo. O livro acaba da melhor maneira possível, dizendo que a sua melhor história de amor é a com a sua melhor amiga, e eu acho isso uma beleza incrível. Eu tenho a sorte de ter várias histórias de amor, mesmo aquelas que não acabaram bem. Tenho a sorte de ter histórias de amor com amigas (e amigos) que tenho a certeza que nunca vão ter um fim feliz porque a palavra “fim” não existe no nosso vocabulário.

Neste dia das mulheres, quero mandar todo o amor do mundo às minhas melhores histórias de amor. A todas as minhas amigas com quem não estarei hoje, mas a quem eu abraço com tanta força quando vou embora, tentando, nesse abraço, englobar todos os dias perdidos em que não estamos juntas, e abafar toda a saudade. Vocês sabem quem são.

Obrigada Dolly por esta bíblia dos tempos modernos. Neste momento o livro anda a circular entre as minhas colegas, mas ter-lo-ei para sempre na minha mesinha de cabeceira, e enquanto o tiver sei que não estou sozinha nesta luta contra a ansiedade, neste medo de falhar, medo de não ser amada, de não estar a viver a vida ao máximo, neste medo de não ser boa o suficiente. Enquanto o tiver e o puder reler, saberei que não estou sozinha nesta constante aprendizagem do que é o amor, e que ninguém o merece mais do que nos próprias.

Feliz dia da mulher, meninas. Temos muita sorte em sermos esta raça extraordinária, complexa, fascinante. Amem-se umas às outras (como Deus vos amou. Lol. Brincadeirinha).

2018

Bom ano maltinha!!!! Aqui estamos nós num novo ano, não é verdade?

A minha passagem de ano foi muito boa. Tranquila, com muita comida e bebida, com (bons) amigos, na nossa casinha. Fomos presenteados por vários fogos de artifício à nossa janela espalhados por todo o este Londrino, o que foi uma bela surpresa. Entrámos em 2018 da melhor maneira, e espero que seja assim o ano todo.

Imaginem que chegámos a casa do aeroporto às 2 da manhã depois de muitas horas de atraso do nosso voo, e às 5:30 levantámo-nos para ir ao mercado de peixe comprar marisco para a passagem de ano!

Nunca tinha ido ao Billingsgate Market mas desde que nos mudamos para aquela zona da cidade vivemos a 6 minutos de lá, então o difícil foi só mesmo levantar da cama. Ouvimos imensos portugueses por lá, prova de que somos povo que não consegue viver sem o seu peixe! Infelizmente é muito difícil encontrar peixe bom neste país, e se só formos aos supermercados normalmente só dá para comprar salmão ou uma dourada cara.

O mercado de Billingsgate oferece peixe fresco a partir das 4 da manhã às 8. Logo às 4 da manhã é a hora da malta dos restaurantes ir comprar grandes quantidades de peixe, por isso foi-nos recomendado ir às 6 da manhã que já era menos confusão. Acho que foi um pouco tarde demais visto que algumas coisas já tinham esgotado, mas em conversa com um senhor percebi que tinha sido mesmo de loucos nessa manhã visto que o mercado ia estar encerrado por vários dias. Mesmo assim, conseguimos comprar amêijoas, camarões, caranguejos, robalos, vieiras.. imensas coisas por preços bastante acessíveis. Vamos sem dúvida voltar lá mais vezes!

Resultado, no dia seguinte ainda comemos mais arroz de marisco que tinha sobrado e tivemos uma overdose de marisco nestes dias, que quase compensou para o resto do ano. Fizemos mesmo muitaaaa comida, ainda tínhamos sobremesas feitas por mim e pela minha amiga Erica, realmente um exagero mesmo à tuga.

(Post mais glamoroso alguma vez visto na internet. Umas tiram fotos a outfits, outras tiram fotos a peixe.)

Para este novo ano que já começou, não peço muito: saúde para mim e para os meus, trabalhinho, boas energias, e que o nascimento do meu priminho Duarte corra bem (estou ansiosa para o conhecer).

 

Um beijo grande a todos e continuem a passar por aqui 🙂

 

PS – Meti uma foto no FB com a mão pousada na barriga porque 1. Não sabia onde a pôr 2. Estava inchada do marisco. Resultado: só bocas de possível gravidez. Disclaimer: não estou grávida, não tenciono estar, nem nunca demonstrei nenhuma vontade/instinto maternal/ desejo para tal. A minha mãe não gosta que eu diga isto mas: Deus me livre! Obrigada por sugerirem que estou com pança na mesma, não me vou esquecer dessa.

Mas afinal que ando eu aqui a fazer?

Visto que hoje é o meu último dia no escritório este ano, decidi fazer uma compilação de algumas coisas que andei a fazer este ano profissionalmente. Vai ser bastante útil principalmente para os meus pais, que, coitados, nunca sabem do que estou a falar quando tento explicar de que escrevo eu. Sinto-me muito grata por poder fazer aquilo que sempre quis fazer, ainda por cima com uma malta porreira e num escritório onde há sempre doces, vendo a catedral de St Pauls pela minha janela.

Estas foram algumas das notícias mais lidas

Taditos, pensam que alguém os quer
Jessica sempre a pensar nos outros
Jessica (mais ou menos) por dentro da política dos avecs
Jessica a defender os amigos. Ninguém se mete com os tugas

 

Jessica a defender os amigos parte 2.

 

E estas foram algumas das reportagens que fiz para uma das nossas revistas

Pessoal que se formou em contabilidade e trabalha em empresas cool de música
Jessica a entrevistar gente importante
Jessica a escrever sobre cenas que não percebe

 

 

Esta foi fácil: escrever sobre onde gastar dinheiro. E ainda inclui uma foto do nosso Algarve

Séries que valem a pena

Quando tenho alguma deadline gosto de fazer tudoooo menos aquilo que é suposto fazer. Por isso pensei em escrever durante o meu horário de trabalho um guia das séries que ando a ver e que valem a pena (não contem a ninguém).

Aviso: não acabei o posto no trabalho. Eventualmente fui fazer qualquer coisita, tá beeeem?

Sou uma amante de séries, e confesso que gosto mais de ver séries do que filmes. Não sei porquê, mas penso “epá, não me apetece comprometer agora num filme de duas horas” e depois vejo 10 horas de uma série. Faz todo o sentido. Isto cria alguns conflitos com o meu namorado, que estudou cinema e adora filmes, mas lá em casa quem manda sou eu  vamos equilibrando as coisas.

Quando tu pensas que já tudo foi feito e que é tudo mais do mesmo, lá chegam aquelas séries que te prendem ao ecrã e te causam insónias ou sonhos marados.

A maior parte das séries que vejo estão no Netflix (os melhores £10 que eu gasto todos os meses). Fico muito contente de agora haver mais a mentalidade de pagar pelas coisas se as queremos. Se crescemos com os downloads grátis e piratarias, hoje já pagamos para ter o Netflix ou Amazon Prime, ou ouvimos música pelo iTunes ou o Spotify. E eu acho isso fixe. Não porque gosto de gastar dinheiro à toa mas porque os artistas têm de receber dinheiro não é verdade?

Mas pronto vamos lá às coisinhas boas que andam por aí.

The Sinner (Netflix)

(Photo by: Peter Kramer/USA Network)

 

O que é: Uma mãe está com o marido e o filho na praia a descascar uma pêra quando de repente um grupo de jovens começa a tocar uma música que a faz perder a cabeça e mata um rapaz à facada.

O que eu tenho a dizer: Comecei esta série esta semana e entre mil eventos e acontecimentos já papei uns 4 episódios. E que tenho eu a dizer? Muito bom. É daquelas séries que tu queres ficar ali com o rabo colado ao sofá durante os episódios todos, mas está tão bom e intenso que consigo ter a maturidade para dizer quando está na hora do ó-ó “meu amigo, está muito bom mas isto amanhã continua aqui, não vamos ver tudo de enfiada porque depois ficamos a ressacar”. Depois vou dormir e tenho pesadelos.

Porque vale a pena ver: A Jessica Biel está muito bem, super arrepiante. A história vai dando curvas e reviravoltas e quando pensas que já estás a perceber a história toda, afinal não estás é a perceber nada. Quase tão imprevisível como as novelas da TVI muahahah.

Mind Hunter (Netflix)

Netflix

 

O que é: Dois agentes do FBI resolvem começar a entrevistar vários assassinos na América para tentar perceber a mente deles e desse modo conseguir resolver casos semelhantes.

O que eu tenho a dizer: Papei esta série numa semana, depois de várias semanas a ouvir os meus colegas a falar horas disto. Foi a série que me deu mais pesadelos nestes últimos dias, porque tentar perceber a mente de serial killers não é pêra doce. Não é uma série cheia de acção, é uma série para saborear e apreciar todos os (bons) detalhes que ela tem.

Porque vale a pena ver: David Fincher é um dos directores, o mesmo senhor que nos trouxe Gone Girl, Fight Club e the Social Network. (Dizem que fica sempre bem meter assim nomes famosos em recomendações, ganha logo outra classe) Muito interessante, muito bem feito. Prefiro este tipo de séries que pegam em elementos verdadeiros e criam uma história e personagens inspiradas em vários eventos e trazem algo de novo, do que a exploração exaustiva de crimes Americanos como Making a Murderer. Adorei voltar a ver a Anna Torv depois de Fringe, é uma senhora, e o Jonathan Groff depois de uma serie gay muito fofinha que vi há uns anos atrás (Looking).

This is Us (NBC)

O que é: Basicamente, e há que admitir, é uma novela, mas em bom. A história de uma família de um casal e três filhos, dois gémeos e um adoptado. Sabe-se logo no início que o pai, que é só a pessoa mais perfeita à face da terra, morre quando eles são adolescentes.

O que eu tenho a dizer: Se esta review fosse emojis, o resto era corações e bonequinhos a chorar. É uma série muito bem feita, com actores brutais (eu já adorava o Sterling Brown, mas tem ali gente que eu não conhecia e é muito boa). A história está comovente e muito bem feita, e toca em assuntos muito importantes de forma brilhante, desde a adopção, ao racismo, à obesidade, à adição a analgésicos à a bebida.

Porque vale a pena ver: Eu basicamente estou a obrigar toda a gente à minha volta a ver isto. Por isso, epa vejam. Não sejas mariquinhas, não se armem em macho mens ou o equivalente feminino, vejam e depois agradeçam-me. É lindo, é comovente, aquece o coração, liberta as energias, relaxa-te a mente e faz-te amar e odiar a vida ao mesmo tempo. Vais ficar a desejar um Jack na tua vida (ou se tiveres sorte como eu, olhas para o lado e constatas que já o tens) e ficas com uma família nova, basicamente, porque esta gente já é minha família.

Atypical (Netflix)

O que é: A historia de uma família com um filho com autismo.

O que eu acho: A família é toda demais menos a mãe, que eu até percebo porque é que ela é da maneira que é, mas depois torna-se insuportável e estúpida pelas atitudes quee quem. O Sam é um espectáculo de miúdo, com uma personalidade incrível. A condição dele faz com que ele diga tudo o que lhe passa pela cabeça e até chega a ser rude, mas ele é tão genuíno e brilhante que eu adoro-o. Sou fã da irmã dele também, uma miúda super desenrascada que faz-se de difícil mas faz tudo pelo irmão. E o pai é um doce de homem que não sabe como lidar com tudo o que se passa em casa mas ele tenta, e isso é que conta.

Porque vale a pena ver: daquelas séries óptimas para uma sexta à noite, a comer uma pizza oleosa e com aqueles pelitos das pernas a sair do pijama. Mas não penses que é uma série estúpida. Está muito bem conseguida, com personagens excelentes, e vai tocar nesse coração (mas não de maneira lamechas).

Outras séries que vi e gostei bastante foram The Handmaid’s Tale (WOW), You Me Her, pela irreverência da história (digamos que não é todos aos dias que vemos um “casal” composto de três pessoas), Stranger Things 2 (OBS), Ozark, Narcos 2, Friends from College, 13 Reasons Why, The Crown, Westworld e American Gods (um dia destes faço reviews deste mas hoje não dá para mais). Porque sou fiel, continuo a ver Walking Dead, mas confesso que estou por um fio! Já não se aguenta! Continuo também fiel à Anatomia de Grey, que é daquelas coisas que tu vês porque já faz parte da tua vida. Que vou fazer eu um dia sem a Bailey, a Maggie (as minhas duas favoritas), o Richard Webber, a Grey e o Alex?

Esta semana sai a nova temporada de Peaky Blinders, uma das minhas séries preferidas de sempre (Thomas Fucking Shelby <3) e quero muito ver a nova temporada de Broad City, uma das comédias que mais me faz rir, e que já saiu em Setembro mas só percebi ontem.

E para já é isto. Beijinhooooos malta.

(Gostei disto. Acho que vou fazer este post mais vezes.)