Londres pode ser muitas vezes um lugar frio (não estou a falar da temperatura porque isso e obvio), solitário e vazio. Cada um anda por si, ninguém se preocupa com ninguém. Cada um faz a sua viagem sem reparar em ninguém. Nesta cidade tu es apenas mais um ser invisível. Es apenas um numero numa empresa qualquer em que nem sabes quem paga o teu ordenado, em que as pessoas com quem trabalhas mesmo que sejam simpáticas (quase) nunca serão (verdadeiramente) tuas amigas, onde a tua familia não vive junta, onde tens de partilhar casas com pessoas que não conheces, onde tens de te sentar num lugar onde hoje provavelmente milhares de pessoas se sentaram, onde sabes que nunca serás ninguém importante, que nunca veras a pessoa que esta a tua frente no metro jamais para o resto da tua vida. Não vale a pena seres simpática. Ninguém quer saber de ti. Ninguém te recompensa por fazeres um bom trabalho ou ficares a trabalhar mais uns minutos. Mas irão cair-te em cima no momento em que fizeres um mínimo descuido. E uma cidade em que não podes falhar em nada. Sabes que nunca poderás chegar atrasada a nada. Sabes que deves estar nas escadas sempre pelo lado direito, sabes que não deves tentar entrar no metro quando a porta tiver a fechar, sabes em que lado da calcada deves andar. E engraçado como as pessoas sabem como andar todas do mesmo sentido, fazer a curva da mesma maneira, tudo a um ritmo para que ninguém atrapalhe ninguém. Visto de cima, somos formigas a fazer filinha pirilau a 300 a hora. So os turistas e que estragam este sistema todo, e so atrapalham o pessoal (eu que o diga, que trabalho da Oxford Street). E uma cidade onde não vês ninguém a sorrir. Onde não vês ninguém a meter conversa com ninguém. Onde es tu por ti própria.

Esta e uma cidade que toda a gente ama, toda a gente gosta ou sonha visitar. E uma cidade com eventos, concertos, exposições, teatros todooos os dias, sem falha, onde a vida não para e tu acompanhas. Mas pode ser cinzenta, pode fazer-te sentir sozinha e fazer-te sentir que se perdes o ritmo estas tramada. Não importa o quanto cansada estejas, a quantidade de merdas que tiverem a acontecer na rua vida. a vida não para e e sempre em velocidade maxima. E hoje foi mais um dia assim.
[17 de Novembro de 2012]









