Mas afinal que ando eu aqui a fazer?

Visto que hoje é o meu último dia no escritório este ano, decidi fazer uma compilação de algumas coisas que andei a fazer este ano profissionalmente. Vai ser bastante útil principalmente para os meus pais, que, coitados, nunca sabem do que estou a falar quando tento explicar de que escrevo eu. Sinto-me muito grata por poder fazer aquilo que sempre quis fazer, ainda por cima com uma malta porreira e num escritório onde há sempre doces, vendo a catedral de St Pauls pela minha janela.

Estas foram algumas das notícias mais lidas

Taditos, pensam que alguém os quer
Jessica sempre a pensar nos outros
Jessica (mais ou menos) por dentro da política dos avecs
Jessica a defender os amigos. Ninguém se mete com os tugas

 

Jessica a defender os amigos parte 2.

 

E estas foram algumas das reportagens que fiz para uma das nossas revistas

Pessoal que se formou em contabilidade e trabalha em empresas cool de música
Jessica a entrevistar gente importante
Jessica a escrever sobre cenas que não percebe

 

 

Esta foi fácil: escrever sobre onde gastar dinheiro. E ainda inclui uma foto do nosso Algarve

Séries que valem a pena

Quando tenho alguma deadline gosto de fazer tudoooo menos aquilo que é suposto fazer. Por isso pensei em escrever durante o meu horário de trabalho um guia das séries que ando a ver e que valem a pena (não contem a ninguém).

Aviso: não acabei o posto no trabalho. Eventualmente fui fazer qualquer coisita, tá beeeem?

Sou uma amante de séries, e confesso que gosto mais de ver séries do que filmes. Não sei porquê, mas penso “epá, não me apetece comprometer agora num filme de duas horas” e depois vejo 10 horas de uma série. Faz todo o sentido. Isto cria alguns conflitos com o meu namorado, que estudou cinema e adora filmes, mas lá em casa quem manda sou eu  vamos equilibrando as coisas.

Quando tu pensas que já tudo foi feito e que é tudo mais do mesmo, lá chegam aquelas séries que te prendem ao ecrã e te causam insónias ou sonhos marados.

A maior parte das séries que vejo estão no Netflix (os melhores £10 que eu gasto todos os meses). Fico muito contente de agora haver mais a mentalidade de pagar pelas coisas se as queremos. Se crescemos com os downloads grátis e piratarias, hoje já pagamos para ter o Netflix ou Amazon Prime, ou ouvimos música pelo iTunes ou o Spotify. E eu acho isso fixe. Não porque gosto de gastar dinheiro à toa mas porque os artistas têm de receber dinheiro não é verdade?

Mas pronto vamos lá às coisinhas boas que andam por aí.

The Sinner (Netflix)

(Photo by: Peter Kramer/USA Network)

 

O que é: Uma mãe está com o marido e o filho na praia a descascar uma pêra quando de repente um grupo de jovens começa a tocar uma música que a faz perder a cabeça e mata um rapaz à facada.

O que eu tenho a dizer: Comecei esta série esta semana e entre mil eventos e acontecimentos já papei uns 4 episódios. E que tenho eu a dizer? Muito bom. É daquelas séries que tu queres ficar ali com o rabo colado ao sofá durante os episódios todos, mas está tão bom e intenso que consigo ter a maturidade para dizer quando está na hora do ó-ó “meu amigo, está muito bom mas isto amanhã continua aqui, não vamos ver tudo de enfiada porque depois ficamos a ressacar”. Depois vou dormir e tenho pesadelos.

Porque vale a pena ver: A Jessica Biel está muito bem, super arrepiante. A história vai dando curvas e reviravoltas e quando pensas que já estás a perceber a história toda, afinal não estás é a perceber nada. Quase tão imprevisível como as novelas da TVI muahahah.

Mind Hunter (Netflix)

Netflix

 

O que é: Dois agentes do FBI resolvem começar a entrevistar vários assassinos na América para tentar perceber a mente deles e desse modo conseguir resolver casos semelhantes.

O que eu tenho a dizer: Papei esta série numa semana, depois de várias semanas a ouvir os meus colegas a falar horas disto. Foi a série que me deu mais pesadelos nestes últimos dias, porque tentar perceber a mente de serial killers não é pêra doce. Não é uma série cheia de acção, é uma série para saborear e apreciar todos os (bons) detalhes que ela tem.

Porque vale a pena ver: David Fincher é um dos directores, o mesmo senhor que nos trouxe Gone Girl, Fight Club e the Social Network. (Dizem que fica sempre bem meter assim nomes famosos em recomendações, ganha logo outra classe) Muito interessante, muito bem feito. Prefiro este tipo de séries que pegam em elementos verdadeiros e criam uma história e personagens inspiradas em vários eventos e trazem algo de novo, do que a exploração exaustiva de crimes Americanos como Making a Murderer. Adorei voltar a ver a Anna Torv depois de Fringe, é uma senhora, e o Jonathan Groff depois de uma serie gay muito fofinha que vi há uns anos atrás (Looking).

This is Us (NBC)

O que é: Basicamente, e há que admitir, é uma novela, mas em bom. A história de uma família de um casal e três filhos, dois gémeos e um adoptado. Sabe-se logo no início que o pai, que é só a pessoa mais perfeita à face da terra, morre quando eles são adolescentes.

O que eu tenho a dizer: Se esta review fosse emojis, o resto era corações e bonequinhos a chorar. É uma série muito bem feita, com actores brutais (eu já adorava o Sterling Brown, mas tem ali gente que eu não conhecia e é muito boa). A história está comovente e muito bem feita, e toca em assuntos muito importantes de forma brilhante, desde a adopção, ao racismo, à obesidade, à adição a analgésicos à a bebida.

Porque vale a pena ver: Eu basicamente estou a obrigar toda a gente à minha volta a ver isto. Por isso, epa vejam. Não sejas mariquinhas, não se armem em macho mens ou o equivalente feminino, vejam e depois agradeçam-me. É lindo, é comovente, aquece o coração, liberta as energias, relaxa-te a mente e faz-te amar e odiar a vida ao mesmo tempo. Vais ficar a desejar um Jack na tua vida (ou se tiveres sorte como eu, olhas para o lado e constatas que já o tens) e ficas com uma família nova, basicamente, porque esta gente já é minha família.

Atypical (Netflix)

O que é: A historia de uma família com um filho com autismo.

O que eu acho: A família é toda demais menos a mãe, que eu até percebo porque é que ela é da maneira que é, mas depois torna-se insuportável e estúpida pelas atitudes quee quem. O Sam é um espectáculo de miúdo, com uma personalidade incrível. A condição dele faz com que ele diga tudo o que lhe passa pela cabeça e até chega a ser rude, mas ele é tão genuíno e brilhante que eu adoro-o. Sou fã da irmã dele também, uma miúda super desenrascada que faz-se de difícil mas faz tudo pelo irmão. E o pai é um doce de homem que não sabe como lidar com tudo o que se passa em casa mas ele tenta, e isso é que conta.

Porque vale a pena ver: daquelas séries óptimas para uma sexta à noite, a comer uma pizza oleosa e com aqueles pelitos das pernas a sair do pijama. Mas não penses que é uma série estúpida. Está muito bem conseguida, com personagens excelentes, e vai tocar nesse coração (mas não de maneira lamechas).

Outras séries que vi e gostei bastante foram The Handmaid’s Tale (WOW), You Me Her, pela irreverência da história (digamos que não é todos aos dias que vemos um “casal” composto de três pessoas), Stranger Things 2 (OBS), Ozark, Narcos 2, Friends from College, 13 Reasons Why, The Crown, Westworld e American Gods (um dia destes faço reviews deste mas hoje não dá para mais). Porque sou fiel, continuo a ver Walking Dead, mas confesso que estou por um fio! Já não se aguenta! Continuo também fiel à Anatomia de Grey, que é daquelas coisas que tu vês porque já faz parte da tua vida. Que vou fazer eu um dia sem a Bailey, a Maggie (as minhas duas favoritas), o Richard Webber, a Grey e o Alex?

Esta semana sai a nova temporada de Peaky Blinders, uma das minhas séries preferidas de sempre (Thomas Fucking Shelby <3) e quero muito ver a nova temporada de Broad City, uma das comédias que mais me faz rir, e que já saiu em Setembro mas só percebi ontem.

E para já é isto. Beijinhooooos malta.

(Gostei disto. Acho que vou fazer este post mais vezes.)

A espécie inglesa

Muito se tem falado do Reino Unidos nestes últimos meses. Seja pela decisão de sair da União Europeia em Junho ou pela recente reportagem sobre a Segurança Social e sistema de adoção. [Texto escrito há um ano mas ainda se aplica.]

Obviamente que teria aqui muito por onde opinar, e até dados que pudessem informar algumas pessoas que acreditam em tudo o que lhes é dado, mas hoje apetece-me escrever sobre o outro lado.

Afinal, porque é que tanta gente, e cada vez mais, vive e gosta de viver aqui?

As pessoas adoram o drama, e às vezes os próprios emigrantes gostam de se fazer coitadinhos. Mas se fosse assim tão mau, porque continuam aqui?

Estou aqui na minha hora de almoço numa agência de comunicação em que, em mais de 65 pessoas, conto 5 serem estrangeiras (eu incluída). Normalmente não é assim: em quase todos os sítios onde trabalhei sempre tiveram muitas outras nacionalidades.

Na quarta feira uma colega muito querida fez anos, e na minha empresa temos o nosso aniversário de folga. Ao perguntar-lhe o que tinha feito, ela disse: fui ao museu com o meu pai. E é isto que me fascina nos ingleses. Ela podia ter ido às compras, podia ter ficado a preparar mega festa ou apenas a fazer nenhum, mas foi a um museu na cidade onde vive há 28 anos, a um museu que já tinha ido vezes sem conta.

Porque é que os ingleses me fascinam tanto para além de passar o aniversário no museu?

Gosto da forma como trabalham. No meu trabalho, cada um sabe o seu papel e como o executar. Ninguém tenta passar o trabalho para os outros, ninguém refila se tivermos de começar mais cedo ou ficar até mais tarde. Ninguém refila se tivermos de ir a um evento de trabalho a noite, e ter de estar novamente no escritório antes das 9 da manhã no dia seguinte.

Gosto de como adoram conversar mas como guardam o privado para eles. Eles não perguntam quanto ganhas, não falam de problemas monetários nem da família em muito detalhe. São os reis das conversas de circunstância e das amizades superficiais. Acho que às vezes ganhava mais se fosse um bocado mais assim.

Gosto da forma como são educados até nas pequenas coisas, ao pedir algo no supermercado ou no café dizem sempre “can I please have” ou “may I have”. Era impensável chegar a um sítio e dizer “it’s a coffee” ou simplesmente “ a coffee”. Dizem obrigada para tudo e mesmo no trabalho, se o teu patrão te diz para fazer alguma coisa, ele não manda. Ele diz “can you please do this if you don’t mind”. Mesmo que ele no fundo não esteja a pedir.

Há organização em tudo. Eles organizam copos com amigos com 3 meses de antecedência, e compram agendas do ano seguinte em Agosto, e marcam as férias um ano antes. Para uma control-freak como eu, isto e o paraíso.

Gosto da forma como admiram aqueles que são de outro lado e escolheram viver aqui. Tentam saber a razão, a tua história de vida, e sobre a tua cultura. Mesmo que isto seja um interesse meio fingido, porque no fundo no fundo, não querem saber de ti para nada.

Gosto da forma como as camadas jovens interessam-se pela política, pelo futuro do seu país, como assinam petições e participam em protestos.

Gosto de ver as trocas de emails quando há problemas, e de observar a forma como tomam conta da situação. Se em Portugal ia haver logo molho ou alguém ia ter problemas, aqui troca-se uns “I understand your point but you might consider this…” ou “that sounds good but please consider this as well..”

Gosto como a cidade funciona com um sistema infalível, as pessoas andam na rua quase em passo de marcha, há um sistema para te movimentares tão automático que percebes quem é daqui e quem está de passagem. Os turistas mudam a ordem das coisas e é por isso que eles não tem paciência para eles (nem eu).

Tudo caladinho e quietinho

 

Acho engraçada da forma como, no fundo, eles odeiam confrontação e preferem sorrir e dizer obrigada do que mandar algo para trás.

Gosto da cultura em que os filhos vivem em casa dos pais até arranjarem um trabalho, e depois vão-se embora. Acho que devia ser assim em mais sítios. Fazem-se à vida, pedem uns trocos emprestados quando a coisa ta apertada mas depois devolvem. E os pais não sentem aquela obrigação de que tem de tomar conta dos filhos até à morte como em Portugal. Sentem que fizeram a parte deles até ao fim da educação dos filhos e depois deixam-nos ir lutar pelas coisas por eles próprios.

Com o tempo, tu adaptas-te ao modo frio e distante destas pessoas, aquela falsidade intocável. Ela está lá mas tu não a consegues ver explicitamente.

Eu porque sou descarada e sincera, já expliquei a vários deles esta falsa simpatia que nós sabemos que eles têm, esta forma exagerada de adicionar mais palavras na frase do que é preciso para pedir algo simples. Eles olham para mim muito incrédulos e dizem que só tentam ser simpáticos.

Claro que depois temos as excepções (o pessoal que se vê no Algarve não será todo assim) e claro que há coisas que não gosto tanto.

Vivo num constante dilema se determinada pessoa gosta mesmo de mim ou é tudo falsidade, ou o que é que realmente pensa.

Mas depois há aqueles ingleses, os meus preferidos, que dizem tudo o que lhes passa pela cabeça com aquele sarcasmo tão característico. Os ingleses usam o sarcasmo como substituto da verdade, utilizando-o para dizerem aquilo que realmente pensam. E esse sarcasmo pode muita vez ser cruel, forte, mas também brilhante pela sua inteligência e perspicácia.

É difícil criar amizades com os ingleses, e contam-se pelos dedos aqueles que considero mesmo mesmo amigos. O Jack, um dos melhores que tenho, admite que eu sou a única amiga que ele tem estrangeira.

É compreensível. Eles têm os ciclos de amigos já formados desde a escola ou universidade, tal como nós em Portugal, e é difícil infiltrar esse circuito. Mas quando consegues infiltrar, é muito giro. Encontros marcados com um mês de antecedência, a preferência de encontros líquidos (sem comida) do que uma bela jantarada, e a forma como falam horas sobre mil coisas sem revelarem grande coisa deles próprios.

Inevitavelmente, tu começas a apanhar tiques do bife. Para mim, o que mais gosto é o horário das saídas daqui. Uma noite louca acaba no máximo às 2 ou 3. Uma boa noite acaba à meia noite, e uns copos normais acabam às 9/10. Jantas cedinho e vais para a cama cedinho. Já me habituei a isto de tal forma que em Portugal, se começar a jantar depois das 20:30, já não consigo comer nada, simplesmente não desce!

Se quiserem perceber melhor a cultura inglesa, recomendo vivamente o livro “Bifes mal passados” do João Magueijo. Simplesmente brilhante.

 

Me too*

Quando cheguei a Londres em 2011, tinha feito 18 anos há menos de três meses. A primeira casa onde vivi era partilhada com os seus donos. Eles eram um casal à espera de bebé, ela polaca e ele colombiano. À primeira vista pareciam um casal normal, apesar das diferenças culturais, eram calmos, limpos e simpáticos.

Um dia cheguei a casa e ele estava sozinho, ela ainda não tinha chegado a casa. Eu estava na cozinha e ele aparece de repente, aproxima-se demasiado perto de mim, e agarra-me. Não com força, mas aproxima-se cada vez mais, dizendo que tinha qualquer coisa no olho, e tenta beijar-me. Eu fujo para o quarto assustada, sem saber o que fazer, e em pânico visto que a porta ainda não tinha trinco (eles tinham ficado de colocar fechadura mas ainda não tinha). Sento-me na cama a tentar acalmar-me e ele bate-me à porta a perguntar se eu estou bem. Eu respondo a tremer que sim mas que estou ocupada. Felizmente ele não tenta mais nada.

Os dias a seguir foram passados a tentar fazer tudo e mais alguma coisa depois do trabalho até ser hora da mulher chegar a casa. Houve vezes que não tinha companhia ou para onde ir, então fiquei no metro, a ir de um lado para o outro sem destino, só a fazer tempo.

Devo ter ficado lá mais uma ou duas semanas.   Eles entretanto foram de férias e eu mudei-me assim que pude.

Eu sei que não aconteceu nada de grave, e podia ter sido bem pior, mas as mãos deles em mim e a sua cara a aproximar-se da minha são imagens que nunca vou esquecer. Senti-me violada, suja, magoada. Senti-me ingénua por não ter percebido os sinais mais cedo (ele a passear de tronco nu pela casa, os olhares quando eu andava de pijama-calção, certas palavras). Senti-me ainda mais enjoada por ele ser uma pessoa casada e à espera de criança, e tentar agarrar uma miúda de 18 anos indefesa que vivia debaixo do seu tecto.

Tal como eu disse, foi um acontecimento que poderia ter tido um desenrolar bem pior, mas na altura tive semanas a sentir-me como se tivesse sido violada.

Este episódio vem à toa estes dias com as revelações de todas as mulheres que foram violadas e perseguidas pelo Harvey Weinstein.

É simplesmente inacreditável a cultura do silêncio em certos meios, principalmente em Hollywood, mas não só. Fico a imaginar o trauma com que aquelas raparigas todas ficaram para a vida, com o sufoco do segredo e com o medo das represálias que poderiam ter (ainda por cima!) se acusassem esta pessoa com tanto poder.

Parabéns a todas as pessoas que se chegaram à frente e contaram a verdade, mesmo sendo (demasiados) anos mais tarde.

Um balde de merda a todos aqueles que sabiam o que se passava e nunca fizeram ou disseram nada para proteger as vítimas, por cobardia e medo de serem prejudicados.

A minha esperança é que mais pessoas se sintam seguras o suficientes para condenarem e tornarem públicas situações semelhantes, seja quem for o atacante.

 

  • “If all the women who have been sexually harassed or assaulted wrote “Me too” as a status, we might give people a sense of the magnitude of the problem.”

Como correr Portugal numa semana

Muitas vezes quando pensamos em férias e em viajar pensamos não só nos sítios maravilhosos que vamos visitar mas também nos sítios onde vamos ficar. Acho que quanto mais velhos vamos ficando mais pensamos em conforto, em hotéis com boas localizações, boa comida, piscina, seja o que for.

Apesar de ainda ser bem novinha, longe vão os tempos em que acampava no festivais, onde só depois se montar a tenda é que percebia que ia dormir debaixo de uma pedra ou que o terreno estava inclinado.

E mesmo que não tenha muito dinheiro, gosto de ficar num sitio seguro, confortável, onde as pessoas sejam simpáticas e me dêem dicas sobre o local onde estou.

MAS, e se tivesse a opção de “ficar” num sítio que estivesse sempre em movimento? Onde pudesse parar todos os dias num sítio diferente, fazer os meus próprios churrascos, e adormecer a ver as estrelas?

Foi exactamente isso que fizemos este verão, e depois desta experiência acho que trocaria todos os hotéis de cinco estrelas do mundo por uma experiência destas todos os anos.

Com um casamento no fim de Junho em Portugal e nós branquinhos que nem lixívia, resolvemos ir uma semana antes para o nosso belo país e passar uns dias a descobri-lo. Uma vez que saí de Portugal com 18 anos confesso que ainda me falta muitooo para conhecer por este maravilhoso país.

Chegámos a Portugal no dia mais quente do ano (yeahhh) e estava simplesmente a derreter! Depois de almoço com os nossos respectivos irmãos, fomos buscar a nossa carrinha/quarto/hotel/cozinha/veículo de viagem à sede da Indie Campers.

Foi-nos dada uma carrinha acabadinha de chegar, com o design mais recente. Que sorte que tivemos!

A Bárbara foi super querida e ajudou-nos com tudo, explicou-nos como funcionava o tanque da água e da gasolina, deu-nos o nosso equipamento de surf (que não usei como era de esperar) e o material para fazer churrascos (que usei muito obviamente). Obrigada também ao Pedro, que descobri que era praticamente meu vizinho (o mundo é um bidé, como diz a minha tia) e que nos fez mega roteiro das melhores praias para visitar nos sítios onde íamos parar.

E lá fomos nós à aventura! Acabámos o dia a dar mega mergulho na Praia dos Galapinhos, na Arrábida, eleita a melhor praia do ano. Se é a melhor não sei, mas que soube bem um mergulho naquela praia ao fim do dia com 25 graus, isso soube.

Seguimos então viagem até ao nosso primeiro stop official: Porto Covo. Depois de um desvio porque Jessica Fino pôs no GPS “Porto Corvo” em vez de “Covo” e fomos parar a um café no meio do nada, chegámos aquela vila fantástica. Já era de noite quando lá chegamos, mas estava uma noite quente e ainda com alguma vida. Estacionámos a carrinha mesmo à beira mar e fomos passear. Apesar do calor desse dia, dormimos perfeitamente fresquinhos. A carrinha tem uma excelente isolação e dormi que nem uma bebé.

De manhã foi acordar, pôr o pé fora da carrinha e descer as escadas para a praia. Haverá melhor localização que esta? Acho que não.

Depois de uma manhã brutal na Praia dos Buizinhos, seguimos viagem para Mil Fontes, onde era suposto ficarmos a dormir mas depois de umas horas por lá decidimos seguir caminho para o próximo destino. Apesar de ter boas memórias de Milfontes e ser de facto muito bonito, tinha demasiada gente, e pessoas na praia a gritar “Jean Pierre, viens ici ou levas no focinho” (ficam com a ideia).

Seguimos então para Aljezur, onde fizemos umas compras e “acampámos” em Monte dos Clérigos. A ideia era jantar no restaurante de um amigo do Fábio, e assim foi. Chegámos lá e parecia que estávamos em casa. Metade das pessoas no restaurante eram conhecidas do Fábio que vieram de Santo Tirso para trabalhar no Verão. O jantar foi brutal. Mesmo à beira mar, exaustos mas felizes, bebemos uma garrafa de Muralhas e comemos um polvo divinal. Eu que não sou fã de polvo devorei aquele prato. O molho de beterraba foi uma excelente surpresa. Estava tão cansada que assim que cheguei a carrinha aterrei completamente (o vinho também pode ter contribuído). O restaurante chama-se O Sargo e recomendo mesmo mesmo vivamente.

Depois de outra noite muitooo bem dormida, acordámos desta vez ainda mais em cima da praia: a areia estava a 3 metros da carrinha. Por lá conhecemos surfistas de várias nacionalidades, pessoal que passa o verão por aquelas bandas, e muita gente que vinha ter connosco para falar sobre a nossa carrinha, ou porque já tinham alugado uma no passado ou porque estavam curiosos.

Depois de passar a manhã em Monte dos Clérigos fomos para um dos melhores sítios desta viagem: a Praia da Arrifana.

Ao chegar a Arrifana senti que tinha chegado ao destino que estava à procura. Ok, a descida para a praia é a pique, e a subida é beeem dolorosa depois de um dia de praia, mas vale tanto a pena!

O ambiente daquela praia é incrível, deu-me vontade de comprar ali uma casinha e viver ali o ano inteiro! Cheio de pessoas boa onda, parámos para almoçar no bar da praia umas belas pataniscas com arroz de tomate (o plano inicial era comer uma salada…). O nosso amigo Adolfo já tinha trabalhado naquele bar e reconhecemos o rapaz que nos atendeu do casamento dele o ano passado! (o mundo é um bidé, lá está)

Este dia na Arrifana foi dos melhores dias de praia da minha vida: água fantástica, areia quente, praia quase só para nós (tirando uma música ambiente de uns hipsters perto de nós que nos embalou para uma sesta), caminhadas à beira mar, mil mergulhos e mais uma sesta.

Esta seria a última noite pelo Alentejo/Algarve, então ao final do dia seguimos para Odeceixe, onde jantámos um franguinho assado do Pingo Doce à beira mar que nos soube pela vida.

A manhã seguinte foi passada a surfar (o Fabio) e a dormir em cima da prancha (eu). Antes de voltarmos para cima, almoçámos um peixinho grelhado fresco na aldeia de Odeceixe e bebemos uma garrafinha de vinho fresco (como o Fabio ia conduzir eu bebi dois quartos da garrafa, por isso a viagem a seguir foi muito animada para mim).

A meio da tarde chegámos à minha aldeia no distrito de Leiria, a Tremoceira. Passámos lá dois dias, e aproveitámos para passar pela praia das Paredes de Vitória, Agua de Medeiros, e no meu sítio preferido: a Nazaré.

Ora por esta altura era quinta-feira, e foi dia de subir mais um bom bocado para o Porto, onde entregámos a carrinha.  Já estava tão habituada àquela carrinha, que me custou despedir dela. Passei tão bons momentos graças a ela que a despedida foi difícil.

Rota completa numa semana:

Lisboa

Praia dos Galapinhos – Arrábida

Porto Covo

Vila Nova de Milfontes

Aljezur

Monte dos Clérigos

Arrifana

Odeceixe

Tremoceira

Paredes de Vitoria

Agua de Medeiros

Nazaré

Porto

Santo Tirso

Durante isto tudo visitámos família e amigos e fomos a um casamento em Santo Tirso!

Apesar da extensa lista de sítios que percorremos, não nos sentimos nada cansados nem stressados. Fomos nas calmas, mudámos de sítio sempre que nos apeteceu, parámos para dormir onde nos apeteceu, e pelo caminho conhecemos pessoas super boa onda e principalmente uma nova maneira de viajar!

Foi  uma experiência simplesmente espectacular que quero fazer mais vezes sem dúvida, idealmente pela Croácia ou Itália!

Recomendo vivamente passar uns dias com a Indie Campers!

Um muito obrigada ao Hugo, CEO da Indie Campers e irmão do Fabio, por nos ter emprestado a carrinha mais cool que tinha disponível. Tudo o que lhe posso dar em troca é um quarto pequenino em Londres por uns dias, mas cada um dá o que tem e pode, não é verdade?

Ser o Sábado e Domingo de alguém

Olá a todos! Comecei a escrever este post só porque me apetecia escrever e resultou em vários pensamentos dispersos e com pouca conexão  mas aqui vai na mesma.

Ha dois anos e meio conheci o Fabio. Pode não parecer muito, mas com ele já partilhei uma vida. Como a canção diz, “sei-te de cor”. E ele sabe-me ainda mais tim tim por tim tim.

Aqui ele é a minha familia. Ele é o meu sábado à noite, o meu domingo de manhã, o almoço de familia, a sopa quando estou doente, a companhia para jantar, o companheiro de filmes, o colega de limpeza, o meu melhor amigo e às vezes até aquele irmão mais velho irritante com a mania que sabe tudo.

Não quero fazer disto um texto lamechas, mas gostava que as pessoas percebessem que quando vivemos numa cidade grande e fácil sentir-se sozinho. E depois quando tens alguém que é a tua companhia todos os dias, essa pessoa torna-se a tua familia, o teu melhor amigo, o suporte que nem sabias que precisavas.

Por quase dois anos vivi sozinha em Londres, sem familia, sem namorado, sem grandes amigos. Felizmente lidei bem com esta “solidão” e soube aproveitar este tempo para fazer tudo o que me apeteceu: viajei o quanto pude, fui a dezenas e dezenas de concertos grátis durante a semana, fiquei em forma com muitas idas ao ginásio, fiz muitas caminhadas pelo este Londrino, sozinha, a observar  as outras pessoas e a sorrir ao pensar quanto sortuda eu era/sou.

A melhor imagem que eu tenho deste tempo mais solitário foi caminhar em Brick Lane num sábado à noite sozinha, a aproveitar o bom tempo daquele dia, a ver as pessoas a beberem copos. Caminhei calmamente nessa noite e disse para mim mesma que um dia seria eu ali, naquele bar, a beber copos com amigos, feliz. Naquele dia eu estava sozinha, não tinha dinheiro para copos nem amigos com quem os beber, mas estava entusiasmada com a ideia do futuro.

A pior imagem que tenho é de ser sexta feira e estar a ir para casa sem me apetecer, e correr a minha lista telefónica inteira a ver se encontrava alguém com quem pudesse ir ter um bocadinho antes de me enfiar no meu quarto pequeno de um metro até a segunda feira seguinte.

Pois desde então voltei aquele mesmo bar algumas vezes, quase todas com ele. Não voltei a precisar de correr a minha lista de contactos, porque tenho sempre companhia.

Sem aquele tempo que estive sozinha, de coração partido mas determinada e cheia de sonhos, não me tinha tornado na pessoa por quem ele se apaixonou.

Mas apesar de ter gostado desses tempos, não trocava estes por nada deste mundo.

O meu conselho para toda a malta solteira é este: aproveitem! Descubram o que gostam, quem realmente são. Porque às vezes estamos em relações e acabamos por adoptar gostos ou ideas da outra pessoa que podem não ser realmente aquilo que nós gostamos ou pensamos. Pensem no que realmente querem fazer, ser e pensar. Eu descobri que afinal gosto de coisas que teimava que não gostava só para ser do contra. Descobri que não gosto mesmo nada de Americanos (gandaaaa boca) e que as pessoas mais amigas e divertidas são as nortenhas.

Isto tudo para dizer o quê? Nada de jeito na realidade.

Ando muito ocupada porque vamos mudar de casa, daí ter parado um bocadinho. Já nem temos internet na nossa casa actual, por isso ainda mais complicado fica. Tenho alguns livros para partilhar convosco, incluindo o primeiro livro do clube de leitura que criei no meu escritório! O primeiro meeting é amanhã e espero que seja um sucesso! Estamos a precisar de algo social que não envolva beber ou jogar futebol.

Quando tiver internet (já na nova casa) vou partilhar o terror que é mudar de casa aqui! Vai ser só a sétima vez em seis anos, coisa pouca! 🙂

Preconceitos

Não consigo perceber, entristece-me e deixa-me irritada e desiludida estarmos em 2017 e ainda existir TANTA gente que não aceita coisas que deviam ser tão normais como homossexualidade e transgeneridade.

Isto é uma coisa tão simples (ou devia de ser) que me faz confusão porque é que há tanto ódio em relação a isto. Vamos la ver uma coisa: cada pessoa é diferente, ninguém é mais que ninguém, e cada um tem o direito de ser aquilo que bem quiser. E por aqui a conversa podia acabar.

Há espaço para todos neste mundo. Há espaço para brancos, pretos, homens, mulheres, cristãos, muçulmanos, gays, lésbicas, heteros. Há lugar para sportinguistas, benfiquistas, há lugar para quem não gosta de futebol, para quem não gosta de canela, para quem e alérgico a gluten, para quem e viciado em chocolate.

Sabem para quem e que não há espaço? Para racistas, xenófobos e preconceituosos. Para esses não há espaço nenhum.

Porque a orientação sexual de alguém, ou a religião ou a cor de pele são elementos daquilo que cada pessoa é. Sim, eu sou branca e heterosexual. Mas também sou filha, prima, irmã, sou jornalista, sou sportinguista, sou portuguesa, e mil e uma coisas mais. Não gosto quando alguém me define por “aquela com óculos”, e ninguém gosta quando nos definem por “aquela gorda, sabes?”, mas agora imaginem o que não deve magoar seres definido por ser “o preto”, “ o gay”, “o travesti”. Porque isso é só um aspecto de uma pessoa. Não é o que os define.

Para todos aqueles que dizem que homosexualidade é uma doença ou que travestis são freaks que transportam doenças, pensem no que fariam se um dia o vosso filho nascesse num corpo em que não se identificasse. Acontece, é  um desvio que acontece enquanto estamos dentro da barriga da mãe, em que na hora de definir o género algo corre ali mal (sou bue das ciências como podem ver, mas juro que ja li cenas sobre isto) e tu ficas com um corpo de um género mas não te encaixas nas noções  típicas do género em que o teu corpo nasce, é  isto. Não é uma mania, não é uma “ideia”, não é uma moda, é como nasceres sem um braço, ou cego, ou com um tomate a mais. Basicamente, é nasceres no corpo errado.

Imaginem se a vossa filha não gostasse de rapazes. Não gostava, pronto. Eu não gosto de atum, ja tentei de mil maneiras mas não gosto. Os meus pais deviam obrigar-me a comer atum? Deviam expulsar-me de casa se não comesse atum? Seria um bocado extremo, não acham? Então se a rapariga não gosta de rapazes, vão obriga-la a casar com um rapaz? Que diferença é que isso haveria de vos fazer? Certamente que o que pensam quando tem um filho é “Deus queira que seja saudável e feliz”, certo? E se ela for feliz com uma rapariga? Que é que isso interessa?

Olhem pronto, era só isto. Da próxima vez que virem alguém a dizer que o mundo está perdido com estas modas de “paneleiragens e fufarias” como eu vi hoje no Facebook alguém a dizer e até me deixou mal disposta, pensem que se calhar tem um irmão, um primo, um amigo, a sofrer há uma vida inteira por ter de esconder (parte) daquilo que é porque outras pessoas acham que se és diferente deles és doente.

Para mim, doente é odiar alguém porque prefere uma coisa em vez de outra. Porque se fosse assim, para mim todos aqueles que comem atum à garfada eram doentes.

(Foto: Dawn O’Porter © David Loftus)

Olá malta

Bem-vindos ao primeiro post deste novo blog. Como alguns devem saber, eu comecei um blog há vários anos enquanto andava na universidade em Londres. Foi um modo de continuar a escrever em português e de estar conectada com o pessoal desse lado. Ao longo dos anos fui recebendo feedback de amigos e também de conhecidos que me diziam que me gostavam de ler. E fui continuando. Mas depois a universidade começou a ocupar-me mais tempo, o trabalho também, e quando acabei os estudos a minha vida mudou de tal maneira que não sabia o que queria partilhar ou não. É difícil encontrar um balanço do que falar ou não falar, quando não fazes ideia de quem vai ler. Há coisas que não sabes se queres partilhar, e essas são aquelas que normalmente te ocupam mais a cabeça.

Agora que os anos nesta ilha vão aumentando e a minha vida é cada vez mais “inglesa”, sinto cada vez mais necessidade de escrever na minha língua-mãe. A verdade é que se não fosse ter um namorado português (mas nortenho, logo às vezes parece estrangeiro para mim), falar com a minha família todos os dias e seguir os comediantes portugueses nas redes sociais, a minha vida seria feita toda a inglês. Até a lista de compras escrevo em inglês (ou misturado, tipo “pasta, mushrooms and água), o meu trabalho é em inglês, metade dos meus amigos falam inglês e vejo/leio/oiço notícias, séries, filmes, livros em inglês.

Por isso este bestica é pt e não com ou co.uk, porque é a minha maneira de ser 100% portuguesa, pelo menos durante o tempo que cá passo.

Migrei os textos que mais gostei de escrever no antigo blog para aqui, e ao lerem estes posts do mais velho para o mais recente conseguem aprender um bocadinho do meu trajeto nos últimos cinco ou seis anos.

Seis anos podem não ser muita coisa, mas na minha vida e nesta cidade, são toda uma vida. Tanta coisa já se passou, tantas aventuras, tantos bons momentos, mas também tantos desafios e tanta merda (excuse my French). Se as pessoas soubessem metade do que já passei, diriam que eu devia escrever um livro. E porque não, talvez um dia? Foram seis (e em breve sete) casas em seis anos, foi um curso, foram cinco trabalhos, umas 50 entrevistas de trabalho, foi um coração partido, foram inúmeras visitas, várias viagens, a descoberta do maior amor, a criação de amizades para a vida, mas também o fim de várias. Enfim. Tanta coisa.

Pois com este novo blog espero encontrar um balanço daquilo que me interessa escrever mas também daquilo que vos possa interessar ler. Isto espero eu. Se for só a minha mãe a ler isto ta-se bem também.

Por isso pronto, bem-vindos, se quiserem ler mais sobre a minha pessoa leiam o meu texto no sobre mim e é isto. Ah, obrigada Matias pela ajuda no design. Foram algumas horas de tremenda paciência e de algumas discussões mas no fim ficou como eu gosto: simples, sem grandes merdices e catita (na minha opinião),

Terças com Morrie

Uma das minhas grandes paixões é a leitura. Mesmo anos antes de aprender a ler, o meu brinquedo favorito (ou único, até), eram livros. Passava horas a fingir que sabia ler as palavras, inventando histórias com as imagens que via. A minha mãe conta-me que as pessoas pensavam que eu já sabia ler, tal era a minha convicção com que declamava as minhas histórias.

Nestes últimos tempos tenho investido em ler livros em inglês, o que não é nada fácil mesmo quando o teu inglês é mais avançado. É mais difícil estares concentrada e não passar frases à frente, há sempre palavras que não conheces e tens de parar para ir ver o significado ou passas à frente rezando que não seja importante para a história.

No entanto, este livro que vos vou falar hoje foi dos mais fáceis que li até hoje em inglês, razão pela qual li em dois dias durante a minha viagem para o trabalho e de volta para casa no comboio (que demora cerca de 35 minutos).

Terças com Morrie foi recomendado por uma colega de trabalho que me disse que tinha sido um dos livros mais triste que ela já leu na vida, e que se fartou de chorar. Eu que tenho uma queda para ler coisas mais triste porque são (ironicamente) as mais bonitas (os humanos adoram desgraça), fui logo comprar.

Apesar de estar sempre à espera de começar a chorar por causa da minha colega, li o livro inteiro sem chorar, mas foi daqueles livros que me tocou na alma. Se na última Terça eu não tivesse apertada contra três pessoas no comboio, talvez tivesse deitado aquela lágrima.

Pois bem a história é sobre um rapaz jornalista (não é sempre?) que teve um professor muito especial na universidade com quem se tornou amigo. Quando terminou o curso, prometeu manter o contacto com o seu querido mentor, mas life happens e passaram mais de 15 anos. Até que  Mitch vê o seu professor Morrie na televisão, numa reportagem sobre a sua doença ( Esclerose Lateral Amiotrófica) que o vai matar. A partir daí, Mitch tenta recuperar o tempo perdido ao encontrar-se com Morrie todas as Terças-feiras, tal como faziam durante os tempos de faculdade.

Durante várias Terças-feiras os dois homens encontram-se em casa de Morrie, e nós vamos assistindo à sua degradação perante esta doença ao mesmo tempo que vemos Morrie cada vez mais tranquilo face ao seu destino.

Morrie e uma inspiração e estas Terças são uma lição para todos nós. Morrie diz-nos para aproveitarmos a vida, aceitando a sua enfermidade, aceitando que o tempo dele ser jovem e saudável já passou. Ele aceita que vai morrer e está em paz com isso. Ele relembra Mitch que a vida não pode ser só trabalho, que não vale a pena vivermos pegados a coisas ou com rancor para com os outros. Porque na hora da nossa morte, o que restam são as memórias, os bons momentos e as pessoas que amamos. Ele relembra-nos da importância que é ter alguém ao nosso lado nos maus momentos, e quanto os devemos apreciar nos bons momentos.

Enfim, este livro dá-nos muitas lições importantes mas eu não vou estar aqui a contar-vos todas porque vocês tem é de ler e aprender essas lições ao vosso tempo.

Acho que este livro foi importante para mim porque me fez reflectir no tempo que desperdiço em merdices, seja a olhar para o feed do Instagram, seja a reviver conversas na minha cabeça e a pensar no que devia ter dito e não disse. Fez-me também repensar nas minhas prioridades, no que me falta atingir como pessoa e se estou a viver a minha vida na melhor e mais verdadeira maneira possível.

O livro que eu li foi em inglês e recomendo vivamente ler este livro nesta língua para aqueles que querem aprender ou praticar o inglês, visto que a linguagem é mesmo mesmo acessível. Ou então o livro está também disponível em português.

Boas leituras 🙂

PS – Gostei tanto do livro que fiquei curiosa para ler mais livros do Mitch Albom. Já me recomendaram “As Cinco Pessoas Que Encontramos no Céu” e acho que vai ser a minha próxima aposta.

Saudades das estrelas

Cresci de portas abertas, de ruas vazias, de paisagens verdes e ao som de pirilampos. Cresci a ver o Ti João passar com as ovelhas, o Ti Pedro encher litros e litros de água da fonte, da tias todas a meter a conversa em dia na rua. Cresci a dizer bom dia a toda a gente. Cresci a apanhar os pirilampos para dentro de uma caixa até aprender que eles assim morriam, pobres coitados. Cresci a ter periquitos, peixes, cães, e até uma galinha. Cresci a encontrar ovos que as galinhas escondiam tão bem, aquelas sacanas. Cresci a ver os meus tios a fazer morcelas (e nunca consegui gostar daquilo desde ai), cresci a ver a Ti Maximina a tirar o pelo dos coelhos, a minha avó a fazer pão e filhós.

Hoje compro frango do aviário (que não sabe a nada), coelho que e tão bom e eu gosto tanto nem vê-lo, o pão seca passado 2 horas, os únicos animais que vejo são cães dos vizinhos e raposas a roubar comer dos lixos. Hoje para além de não dizer bom dia a ninguém evito fazer contacto visual com qualquer pessoa no metro, para evitar parecer uma creepy. Hoje as pessoas à minha volta ficam chocadas quando conto que a ti Maximina tirava as entranhas dos coelhos à minha frente a explicar-me “isto e o fígado, isto e o intestino”, e que ficam chocadas quando digo que nunca tinha visto um judeu ortodoxo antes de vir para cá. Ou um muçulmano. Ou uma menina de Essex (essas e que são o verdadeiro fenómeno).

Mas o que mais mais mais saudades tenho? De uma noite estrelada.

Um céu estrelado e o cenário mais bonito mas a “fog” não deixa isto acontecer. Em noite de eclipse ou la o que e*, tudo que eu queria era um belo céu estrelado, uma noite quente, uma lua brilhante, e se não fosse pedir muito, isto tudo em plena praia, com o mar ali tão perto a molhar-me os pés.

Escrevi isto no dia do eclipse mas so me apeteceu publicar agora, depois de várias dias a ver fotos e videos dos meus amigos todos reunidos da festa da terrinha. Saudades. Mas esta quase.

[5 de Setembro de 2017]