Preconceitos

Não consigo perceber, entristece-me e deixa-me irritada e desiludida estarmos em 2017 e ainda existir TANTA gente que não aceita coisas que deviam ser tão normais como homossexualidade e transgeneridade.

Isto é uma coisa tão simples (ou devia de ser) que me faz confusão porque é que há tanto ódio em relação a isto. Vamos la ver uma coisa: cada pessoa é diferente, ninguém é mais que ninguém, e cada um tem o direito de ser aquilo que bem quiser. E por aqui a conversa podia acabar.

Há espaço para todos neste mundo. Há espaço para brancos, pretos, homens, mulheres, cristãos, muçulmanos, gays, lésbicas, heteros. Há lugar para sportinguistas, benfiquistas, há lugar para quem não gosta de futebol, para quem não gosta de canela, para quem e alérgico a gluten, para quem e viciado em chocolate.

Sabem para quem e que não há espaço? Para racistas, xenófobos e preconceituosos. Para esses não há espaço nenhum.

Porque a orientação sexual de alguém, ou a religião ou a cor de pele são elementos daquilo que cada pessoa é. Sim, eu sou branca e heterosexual. Mas também sou filha, prima, irmã, sou jornalista, sou sportinguista, sou portuguesa, e mil e uma coisas mais. Não gosto quando alguém me define por “aquela com óculos”, e ninguém gosta quando nos definem por “aquela gorda, sabes?”, mas agora imaginem o que não deve magoar seres definido por ser “o preto”, “ o gay”, “o travesti”. Porque isso é só um aspecto de uma pessoa. Não é o que os define.

Para todos aqueles que dizem que homosexualidade é uma doença ou que travestis são freaks que transportam doenças, pensem no que fariam se um dia o vosso filho nascesse num corpo em que não se identificasse. Acontece, é  um desvio que acontece enquanto estamos dentro da barriga da mãe, em que na hora de definir o género algo corre ali mal (sou bue das ciências como podem ver, mas juro que ja li cenas sobre isto) e tu ficas com um corpo de um género mas não te encaixas nas noções  típicas do género em que o teu corpo nasce, é  isto. Não é uma mania, não é uma “ideia”, não é uma moda, é como nasceres sem um braço, ou cego, ou com um tomate a mais. Basicamente, é nasceres no corpo errado.

Imaginem se a vossa filha não gostasse de rapazes. Não gostava, pronto. Eu não gosto de atum, ja tentei de mil maneiras mas não gosto. Os meus pais deviam obrigar-me a comer atum? Deviam expulsar-me de casa se não comesse atum? Seria um bocado extremo, não acham? Então se a rapariga não gosta de rapazes, vão obriga-la a casar com um rapaz? Que diferença é que isso haveria de vos fazer? Certamente que o que pensam quando tem um filho é “Deus queira que seja saudável e feliz”, certo? E se ela for feliz com uma rapariga? Que é que isso interessa?

Olhem pronto, era só isto. Da próxima vez que virem alguém a dizer que o mundo está perdido com estas modas de “paneleiragens e fufarias” como eu vi hoje no Facebook alguém a dizer e até me deixou mal disposta, pensem que se calhar tem um irmão, um primo, um amigo, a sofrer há uma vida inteira por ter de esconder (parte) daquilo que é porque outras pessoas acham que se és diferente deles és doente.

Para mim, doente é odiar alguém porque prefere uma coisa em vez de outra. Porque se fosse assim, para mim todos aqueles que comem atum à garfada eram doentes.

(Foto: Dawn O’Porter © David Loftus)

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