Os últimos seis meses

Já não escrevia fora do meu trabalho há muito tempo. Tanta coisa se passou desde a última vez, a vida não pára e todos os dias são uma montanha russa, e o tempo passa e o momento nunca parece o mais certo.

No entanto, há cerca de uma semana atrás encontrei uma troca de emails com uma amiga de há sete anos atrás, meses depois de ter vindo morar para Londres. Li os nossos emails com um sorriso nos lábios. Tanta coisa tinha mudado desde então, mas as miúdas que éramos continuava ali entre linhas, e a amizade continuava lá toda.

Parei de escrever no blogue não há sete anos mas há já vários meses e nem sei porquê. Desde então algumas coisas aconteceram desde então: fiquei noiva. Despedi-me. Comecei um novo trabalho.

Gostava de nos falar desde primeiro acontecimento que mencionei. Como sabem as pessoas que me conhecem, nunca foi um sonho meu casar-me, mas o corajoso do meu namorado decidiu arriscar e pedir-me em casamento da maneira mais bonita que eu poderia ter imaginado: num barco debaixo da ponte de Brooklyn, durante a minha viagem de sonho.

As nossas férias em Nova York já estavam a ser memoráveis, e o pedido no penúltimo dia nesta aventura foi mesmo a cereja no topo do bolo. Desde pequenina que sonhava em ir a NY mas pensava que isto não iria acontecer tão cedo. Foram dos dias mais felizes da minha vida, onde andamos kilómetros sempre sem horários nem pressa, a viver a cidade que sempre idealizei conhecer.

Diamond in the sky

 

Aquela viagem de barco foi a surpresa mais especial que já alguém me preparou. E agora, quase seis meses depois, digo que o mais especial para mim disto tudo foi o amor que foi preciso ter por mim para preparar tudo isto, desde a escolha personalizada do anel, ao planeamento da tour privada de barco, da logística de andar com o anel de Londres para Nova York, de casa da nossa amiga em New Jersey para o Airbnb em Brooklyn, até chegar o derradeiro dia.

Nunca pensei ter alguém que estivesse disposto a fazer isto tudo por mim, quanto mais alguém que de livre vontade quisesse assegurar-se que isto que temos é para a vida.

E por isto tudo eu disse que sim. E se nunca idealizei casar-me, a verdade é que o planeamento tem sido uma fase super gira e que me tem dado bastante gosto. É nesta fase que me apercebo ainda mais da pessoa que tenho ao meu lado, alguém que quer fazer parte de tudo, que se preocupa com muitos mais pormenores do que eu.

A vida realmente tem mais piada quando é partilhada, e nestes últimos dias em particular, que têm sido tão desafiantes e intensos, agradeço ter alguém à minha espera de braços abertos quando chego a casa.

Quando uma pessoa muda de trabalho muda também de vida. Durante os últimos três anos e meio trabalhei numa revista escrevendo sobre economia e finança. E eu adorava o meu trabalho, era das pessoas mais envolvidas na empresa, tendo criado o clube de leitura e fazendo parte do comité social (o pessoal que organiza as festas da empresa e tal). Mas já não me estava a sentir desafiada e a semana passada disse adeus aquela que era a minha família inglesa. Não foi uma decisão fácil mas foi necessária.

O meu último dia foi maravilhoso. Passaram o dia a tentar fazer-me chorar. Houve discursos, recebi imensas lembranças, cartas, mensagens, tive imensos almoços de despedida nas últimas semanas de trabalho e saí dali de coração apertado mas cheio, agradecida de tudo o que alcançei nestes últimos anos e das amizades que criei. Ainda hoje me emociono com o facto de podermos criar amizades tão fortes com pessoas que não partilham a mesma lingua, o mesmo background, a mesma cultura ou religião.

O Fábio foi à minha festa de despedida e adorei ver a forma como todos o trataram, como se também fosse família deles por terem ouvido tantas histórias sobre eles, sobre nós, ao longe destes anos. Quando íamos embora ele ainda me deixou mais com o coração nas mãos ao dizer: “eles gostam tanto de ti, não vais ficar cheia de saudades deles?”

Devia de tentar perceber porque é que estou sempre a ir embora de ao pé das pessoas que me querem bem…

Ainda não posso falar muito do meu novo trabalho porque hoje foi o meu terceiro dia, mas têm sido dias imensamente desafiantes, onde já aprendi imenso, paniquei bastante, mas percebi que era mesmo isto que estava a precisar.

To be continued…

Sobre a Rússia: uma série e um livro

Tenho pensado em voltar aos meus posts sobre séries que tenho andado a ver, mas ontem acabei uma que tinha deixado para trás e sinto que vos tenho de falar sobre isto.

The Americans, uma série sobre um casal de espiões russos que se infiltra nos Estados Unidos da América, chegou ao fim em Maio depois de seis excelentes temporadas. Só ontem a acabei porque algures pela terceira temporada decidi mostrá-la ao Fábio e começar do início.

Ao mesmo tempo que devorava as últimas temporadas, lia o novo livro The Spy and he Traitor, de Ben Macintyre, que nos fala da história incrivelmente verídica do maior espião russo infiltrado no MI6 durante a Guerra Fria.

Ora estão a ver que nas últimas semana levei com uma dose de informação sobre a Russia, o KGB, a Guerra Fria, o FBI e os segredos, paranóias e jogos psicológicos característicos da época.

Ao ler o livro sobre a história de Oleg Gordievsky, que ainda hoje é vivo e reside numa localização secreta em Inglaterra, deparei-me com muitas semelhanças com a série, e foi também uma maneira de a perceber melhor.

A série teve um final incrível, dos melhores que já vi. Prova disso é que quando o ecrã escureceu eu fiquei vários minutos imóvel, a pensar no que tinha acabado de ver e no capítulo que se fechava. Fiquei a pensar na simbologia do seu final durante o resto da noite e o dia de hoje. Sem querer “spoilar” nada, a série deixamos a questionar porque torcemos durante todo este tempo por estes anti-heróis, que enganaram tudo e todos e mataram, manipularam e mentiram durante décadas, fingindo ser quem não era, por uma ideologia que já sabemos que estava condenada ao fracasso.

The Americans é das coisas mais bem feitas, e adoro que não seja uma série mainstream. É como se fosse o meu segredo mais bem guardado, e que agora escolho partilhar com vocês.

A verdade é que não sei como é que a atriz principal não ganhou um Oscar, apesar de ter estado nomeada. A última temporada especialmente foi cheia de suspense, e eu suspendi mas os meus abdominais durante todos os episódios do que numa aula de core no ginásio. Foi também a temporada em que melhor consegui estabelecer conexões com o que realmente aconteceu durante os últimos anos da União Soviética.

Estar agora a acabar de ler este livro incrível sobre o espião que tanto contribuiu para o fim da (primeira) Guerra Fria é como se fosse uma continuação da série.

Escrevo “primeira” porque há quem argumente que neste momento estamos na fase inicial de uma segunda Guerra Fria, e eu não deixo de reflectir sobre isto.

O Putin é ex-KGB e só quem lá está sabe as condições é que o povo vive naquele país em pleno 2018. Para além disso, existem os conflitos com os países à volta, e que quer impor novamente o poder, e o Putin é um homem perigosamente poderoso. Para além disso há mais do que provas suficientes para saber que os Russos influenciaram as presidenciais nos EUA e o referendo que levou ao Brexit. A relação próxima com o Trump também não deixa ninguém descansado.

Dá que pensar.

Anyway, eu queria sugerir-vos uma série e um livro e acabei por vos alertar para uma Guerra. Tão típico meu!

Boa semana.

 

A caminho do concerto dos Arctic Monkeys

Esperei uma década para dizer isto. Hoje vou ouvir ao vivo a banda sonora da minha juventude. Dancei Brainstorm na apresentação final da aula de dança com a minha amiga Carolina e o meu primo Costa. Já éramos revolucionários. Partimos a loiça toda. Não sei se fico bem no Dancefloor, mas cresci com Dancing Shoes. Passei horas a questionar-me se R U Mine, e perguntando-me se Do I Wanna Know.

Vários anos mais tarde, cliquei no novo single Tranquility Base Hotel + Casino minutos depois de sair. Saí de uma reunião de trabalho para comprar estes bilhetes, que foram muito difíceis de arranjar, e quase que chorava quando os consegui, sob o olhar acusatório do meu patrão.

Hoje vou conhecer o meu amigo Alex, voz dos meus pensamentos, certezas e incertezas, soundtrack das horas de estudo, das viagens de autocarro, tardes de praia, dias secantes trancada no quarto a imaginar tudo o que um dia eu poderia ser e vir a fazer.

When the Sun Goes Down hoje à noite, (e mesmo suspeitando que não vão tocar esta), vou agradecer por mais um sonho realizado. O primeiro de alguns que vou realizar este mês.

E não me estou a gabar gente, estou mesmo feliz. Para mim a vida é o conjunto destes momentos. É isto que dá gosto à vida. Porque um dia quando olhar para trás são estes momentos que me vou lembrar. Aquela cave d IEJ onde praticámos aquelas coreografias horas a fio, ou a noite de hoje na O2 arena onde já vi bandas como Radiohead e Florence and the Machine. Não as 60 libras que pouparia se ficasse em casa ou os likes no Instagram que ia distribuir enquanto aborrecida no sofá. Isso fica para amanhã.

Coisas que a minha irmã aprendeu num mês em Inglaterra

Neste último mês tive como hóspede a minha irmã mais nova. Veio chatear-me o juízo aproveitar esta pausa entre licenciatura e mestrado para ganhar uns trocos e praticar o inglês, antes de rumar ao Algarve e poder comunicar na língua local nos bares e restaurantes.

Com esta sua aventura quase a acabar dentro de dias, tomo a liberdade de partilhar o que ela aprendeu durante este mês.

 1. Tens de lidar com pessoas de todos os tipos e feitios

Tendo-se inscrito em várias agências de trabalho temporário, a Patrícia tinha turnos em diferentes localizações, o que significa que todos os dias podia estar em sítios diferentes a trabalhar com novas pessoas. Contava-me ela as aventuras que passou com a colega Grega rude, o cozinheiro Ucraniano, o manager Inglês e a colega francesa. Noutro sítio, contactou com Portugueses, Iranianos, Romenos e Mexicanos. Pode dizer-se que em quatro semanas deu a volta ao mundo.

2. Só nāo trabalhas se nāo quiseres

Estas agências de trabalho temporário  têm todos os dias dezenas e dezenas de turnos que tu podes escolher. O que nāo falta é trabalho, e eles estão constantemente a ligar a perguntar se estás disponível para trabalhar. A nós só nos resta ver quem dá mais.

3. Os ingleses bebem muito mais do que comem

Nestes eventos em que ela trabalhou, que incluiu uma churrascada de ricos num clube de ténis, uma inauguraçāo de um mercado Japonês ou um evento de caridade, a conclusão era sempre a mesma: a comida toma um plano secundário em relação à bebida. Os ingleses passam-se sempre que vêem um bar aberto e a sede é tanta que se esquecem de comer. Quem sofre é a Portuguesa que, (sempre) cheia de fome, vê a comida a ser ignorada e só deseja poder picar.

4. O tempo não é assim tão mau

Eu digo isto sempre, mas de facto ela teve sorte a mais este mês. Está um calor que nunca se viu nesta terra, e apesar disso ser fantástico, para quem tem de andar de transportes ainda por cima de fato preto e camisa torna-se num inferno. Mesmo assim, deu para aproveitar estar na minha varanda, ir dar umas voltas à beira rio e ate molhado os pés no mar num domingo em Southend.

5. Podes abrir uma conta bancária em cinco minutos pelo sofá

“Este país não é normal”, dizia-me ela incrédula quando lhe abrimos uma conta bancária online enquanto estávamos no sofá. Tudo o que ela teve de fazer foi fazer download do app Monzo, gravar um vídeo e tirar uma foto do cartāo de cidadāo. Passados cinco minutos, tinha conta bancária no Reino Unido e já podia começar a ser paga.

6. Um mês em Londres são seis em Portugal

Em quatro semanas esta miúda aprendeu mais, trabalhou mais e cresceu mais do que em vários meses no nosso rico país. O ritmo aqui não pára, e todos os dias são um desafio. Tenho a certeza que ela sai daqui com outra maneira de encarar a vida, e ainda mais determinada a safar-se no Direito porque esta vida em catering não é para ela. Em nota pessoal, estou mesmo orgulhosa desta miúda que podia ter passado o mês na praia mas quis vir trabalhar, disponível e com vontade para fazer o que fosse preciso (salvo seja).

Muitas outras aventuras aconteceram neste mês, como nós a gritarmos uma com a outra no meio da rua, ela perder-se várias vezes (uma delas porque lhe pus mal a morada no Cittymapper) ou quando quase desmaiava no metro com tanto calor.

E nem tudo foi fácil (ou quase nada, diria eu). A miúda teve de ir a dois dias de treino em que teve de aprender a abrir garrafas e a levantar pratos (amigos da Patrícia, preparem-se para o show que ela vai dar em jantares lá em casa a partir de agora), teve de ir ao centro de emprego candidatar-se para um numero de segurança social e teve de nos aturar enquanto o meu namorado recuperava de uma operação (e até lhe fez sopinha no dia que ele teve alta). Por isso, obrigada Ticinha, gostámos muito de te ter cá. Apesar de me teres roubado roupa, proibido de usar alguma dela, tentares mandar no que visto, obrigares-me a limar as unhas (odeio) e de seres uma miniatura de ditadora assim na vida em geral.

O que eu aprendi é que sou uma irmã galinha do pior, constantemente preocupada e stressada, a querer saber onde ela anda, se já chegou ao trabalho, se se perdeu, se tem fome, etc e tal. Não preciso deste stress todo na minha vida. 

Viver à pressa

Passamos os dias a desejar o fim de semana, à espera da Sexta-feira, à espera que cada dia passe mais rápido, e depois lamentamo-nos que aqueles dois dias passaram demasiado rápido.

Fazemos planos que não se realizam, ficamos por marcar aquele copo que nunca acontece, adiamos aquela limpeza a fundo da casa, aquela ida ao Ikea, aquele telefonema à amiga que já não falamos há muito tempo.

Vivemos com medo de desperdiçar o nosso tempo, de querer viver a vida ao máximo, e desejamos que os dias da semana “passem rápido”, na ânsia de melhores dias. Mas por que ter pressa, se este pode ser o nosso último dia? E se o nosso último dia for uma Sexta-feira e passámos a semana toda a contar os dias para o Sábado chegar? O Sábado pode nunca chegar, já viram?

Ficamos chateados se temos de esperar vários minutos pelo metro, aborrecemo-nos no trabalho que temos tanta sorte em ter, não temos paciência para as reuniões, despachamos os telefonemas, contamos os minutos para chegar a casa para vermos cinco horas de Netflix.

Vivemos à espera de algo melhor que está ao virar da esquina, como se o facto de estarmos aqui, neste momento, não fosse só por si uma sorte.

Fazemos planos mas cancelamos se nos apetecer ou se uma proposta melhor aparecer. Não nos comprometemos com nada com medo de ficarmos presos a um plano que nos venhamos a arrepender. Queremos viver e conhecer tudo mas gastamos o nosso dinheiro em jantares, cafés take away e sapatilhas de marca.

Queremos ir a sítios para fazer o “check” na nossa wishlist, porque lemos artigos a dizer “Sítios que tem de ir antes dos 30”, e se chegarmos aos 30 sem lá ir, estamos a falhar na vida e não estamos a vivê-la ao máximo.

Vivemos a correr sem pensarmos que quando cruzarmos a meta, a corrida acaba.

Mas o medo de não passar pelos sítios todos deste trajeto enquanto há tempo assusta-nos, e muitas vezes queremos correr mais depressa que os outros, ou pelo menos ao ritmo que achamos que devíamos estar a correr. Temos medo de o tempo acabar e a corrida ainda ir a meio. Queremos ver tudo e chegar a todo o lado, arriscando dar um passo maior que a perna.

E com esta ânsia de querer viver tudo, esquecemo-nos de apreciar o que nos rodeia, e apreciar as conquistas durante o percurso.

A parede do escritório do meu namorado tem uma frase que me deixa a pensar cada vez que lá passo: “The journey is the reward”.

Hoje é Quarta-feira, e que sorte temos nós de estar cá para vivê-la.

 

(Este texto é para o meu inconsciente também, que vive numa ânsia de querer viver tudo saber tudo conseguir tudo, e eu preciso muitas vezes de parar e apreciar o que consegui até hoje, que de facto foi mais do que alguma vez pensei conseguir nesta idade.)

Somos mulheres, não mulheres a dias

Acho que as pessoas andam muito frustradas com o movimento feminista graças a grupos que, com todas as suas boas intenções, se tornaram demasiado radicais e extremistas. E isso é triste porque ainda há tanto trabalho a fazer.

Só hoje, o banco HSBC revelou que os homens que lá trabalham são pagos 60% mais que as mulheres. Isto é parcialmente explicado por três quartos das posições mais altas serem ocupadas por homens, e a maior parte das posições mais juniores serem ocupadas por mulheres.

No mesmo dia, a minha mãe acaba de me contar que um homem matou à facada uma mulher que quis acabar o relacionamento extra-conjugal que estes tinham. E diz-me que todos os dias há notícias de homens a matar mulheres em Portugal.

Estas situações, uma mais grave que a outra, é verdade, são apenas dois exemplos pelos quais é tão importante lutarmos pelos direitos das mulheres. O que as pessoas têm de perceber é que o feminismo não é o pensamento que as mulheres são melhores que os homens, mas sim uma luta para que não haja diferença.

E a luta para que todos os pensamentos misóginos sejam coisa do passado. Eu luto todos os dias para que isto aconteça, e todas as mulheres e todos os homens deviam fazer o mesmo.

Não podia ser de outra maneira, e se fosse não estaríamos juntos, mas o meu namorado entende perfeitamente que o facto de eu ser mulher não significa que tenha de ser eu a passar a ferro, a cozinhar, ou a limpar a casa. Todas as tarefas domésticas são responsabilidade dos dois. Para choque de toda a população, eu não lhe passo as camisas a ferro, e todas as semanas ele passa a sua roupa a ferro enquanto eu faço as minhas coisas, ou me sento no sofa a ler ou a conversar com ele. A minha avó acha isto mal, mas eu apenas lhe digo “se nem a minha roupa passo a ferro, por que iria passar a dele?”.

Mas isto também funciona para os dois lados. Eu não espero que ele pague a renda toda (era bom era), nem espero que ele pague os jantares fora. Se ele quiser pagar, eu aceito e agradeço, mas é possível que na semana a seguir seja eu a pagar. (Ele vai ver isto e dizer que isto nunca acontece, mas ele sabe que é apenas porque sou forreta e sempre tesa. Eu paguei-lhe uma viagem a Paris, não há nada menos machista que isso). Não devia ser uma obrigação ser o homem a pagar, a igualdade não funciona só para um lado.

Este assunto da igualdade e da discriminação tem-me andado na cabeça há vários dias desde que me deparei com a notícia que o município da minha terra teve a excelente iniciativa de organizar uma entrega de prémios para mulheres que se destacam na sociedade, pedindo a cada freguesia para eleger uma, duas out três mulheres que se destaquem em cada área. Para meu espanto, a minha freguesia escolheu não eleger nenhuma mulher, sendo a única a não o fazer.

Não me surpreende que ninguém tenha dito nada sobre isto. Sendo um núcleo pequeno em que se precisa de favores e cunhas para tudo, incluindo ter saneamento e estradas pavimentadas (com estes “favores” apenas sendo satisfeitos meses antes das eleições….), não convém criticar os representantes, porque são eles que controlam se tens água ou luz em casa (século XXI ou IXX?).

Mas alguém tem de falar, e contestar, e fazer perguntas. Esse alguém pode muito bem ser eu, primeiro porque nem sequer vivo lá já vai fazer sete anos, e segundo porque não quero muito saber o que os outros pensam de mim. Ainda ontem estive numa reunião com dois partners da maior empresa e consultoria para falar sobre estes assuntos, e tenho escrito imensos artigos que mostram como as empresas ainda têm muito trabalho pela frente. E se uma miúda estrangeira de 24 anos não tem medo de enfrentar esta malta, mais ninguém devia ter.

Na minha publicação no Facebook sobre isto, ironizei sobre o facto de que não encontraram nenhuma mulher digna de ser reconhecida, e da forma como, nos dias de hoje, a minha freguesia ainda organiza jantares apenas para homens. Disse que era óbvio que estas decisões eram feitas porque eram homens a fazê-las. A falta de representação feminina nas nossas autarquias é chocante, diga-se de passagem, e esse é parte do problema.

O que me irrita é saber por várias fontes seguras que a minha freguesia escolheu não entregar este prémio simbólico por razões políticas, por não ter a coragem de enumerar duas ou três mulheres com medo de ofender outras. E essa razão é ainda pior do que não se dar ao trabalho, porque significa que os nossos representantes pensam que as mulheres são de tal maneira invejosas que não conseguiriam lidar com o facto de outras serem homenageadas e elas não. Por esse pensamento, ninguém recebia prémio nenhum, com medo de ofender os outros concorrentes.

Mas um dos problemas disto é que as mulheres têm medo de falar, e sentem que não são bem vindas nestes jantares porque “só vão homens”, e os cafés e clubes destas terras são vistos como “só para homens”. Quantas vezes fui olhada de lado por sair para sítios vistos como “para homens” (e estou a falar de simples cafés, não de casas de alterne).

Adorava que as mulheres se soltassem um bocadinho e começassem a sair durante a semana como os homens fazem, a ir beber um copo antes do jantar, e chegarem a casa e terem o jantar à espera delas feito pelos homens. Conseguem imaginar esta loucura? Era incrível, não era?

Tanta coisa precisa de mudar. Mas enganem-se que apenas os homens precisam de mudar. Nós também precisamos de o fazer. Nós nascemos todos iguais. Nascer mulher não significa que temos de ser nós a lavar a roupa, a fazer o jantar, ou a limpar a casa.

Os homens deviam, nos dias de hoje, ter a iniciativa de pôr a roupa a lavar se vêem o cesto cheio, ou de cozinhar se vêem que está na hora de jantar. E as mulheres também têm de lhes dar o espaço para isso, e não tratar a cozinha ou a lavandaria como o seu território e o seu dever exclusivo. Não é o nosso dever exclusivamente. É o dever dos dois. E já agora, também o dever dos vossos filhos. Especialmente se eles tem 30 anos e ainda vivem em vossa casa. Não lhes estão a fazer nenhum favor a mimá-los dessa maneira, e nenhuma mulher moderna os vai querer se chegam a essa idade sem saberem meter roupa a lavar ou bifes a grelhar.

Outra coisa que precisa mesmo de mudar é a forma como nos tratamos uma às outras. Nós somos as maiores criticas a nós próprias e às outras, e para além de não ser bonito não é um bom exemplo para a próxima geração.

Não me chamem revoltada por favor, porque eu não sou revoltada ou frustrada por acreditar numa sociedade em que o meu género não me deve definir, ou impedir de fazer ou ser aquilo que eu quiser.

Acho que todos precisamos de olhar à nossa volta e pensar que a mudança tem de vir de todos nós, mulheres e homens.

Beijinhos, boa Sexta-feira e divirtam-se.

Everything I Know About Love é a bíblia dos tempos modernos

Hoje venho falar-vos de um livro que li a semana passada e que saltou para um dos meus favoritos de todo o sempre.

Everything I Know About Love, da Dolly Alderton

Esta Dollyzinha lixou-me bem, porque escreveu o livro que eu sempre quis escrever. Mas provavelmente muito melhor do que eu escreveria, vá.

Mas adiante. Como é que eu descobri este livro? Neste meu exercício de me tentar integrar não só neste país mas também no meio jornalístico, passo várias horas no Twitter a encontrar pessoas novas e a tentar perceber quem devo conhecer/seguir ou não. Foi neste exercício que descobri a Dolly, e pouco tempo depois percebi que ela tinha escrito um livro. Nos dias/semanas seguintes foram aparecendo vária reviews e várias pessoas no Instagram a ler o livro, e eu decidi que tinha de o comprar. Bem, sabia lá eu e o meu livro alma gémea (isso existe?) era aquele. Devorei o livro em provavelmente menos de quatro horas. E depois fiquei com pena de o ter lido tão depressa.

Como já escreveram pelas internets, este é um livro sobre o amor à amizade. É refrescante ler uma história em que no final se vai sempre dar mais importância aos amigos que estiveram contigo ao longo de namoros, corações partidos, e tudo o mais. Chorei em duas partes: quando ela fala da irmã mais nova da melhor amiga (a quem ela dedica o livro, e não podia ter escolhido melhor dedicatória) e, no final, o agradecimento à sua própria melhor amiga. Sem ela nenhuma destas histórias fariam sentido. De facto quando olhamos para trás, independentemente dos amores e desamores que passámos, o que nos lembramos é das pessoas que estiveram ao nosso lado, a ajudar-nos a enviar a resposta perfeita, a fazer a cobertura dos nossos pais, a proibir-nos de ver mais aquela pessoa que nos faz mal, a amparar as nossas quedas e a celebrar as nossas conquistas.

No seu livro, Dolly mostra o quão importante as amizades são, e alerta-nos para nunca nos esquecermos dos amigos mesmo na fase cor-de-rosa das relações, pois os amigos são aqueles que estão sempre connosco independentemente do que acontecer. Hoje em dia e já em adultos há muita pessoa a fazer isto.

Mas mais do que as lições que o livro nos dá, é a viagem nostálgica que ela faz à nossa juventude. Se nasceste no final dos anos 80 ou nos 90, vais-te identificar com tanta coisa que parece que estas a falar com a tua própria melhor amiga. Começa logo pelas conversas no messenger, onde passávamos horas (ou dias) a falar com alguém, em que mudávamos os nossos nicknames, pondo músicas a tocar para aparecer no nosso estado, etc.

Vai até anos mais tarde, desde a sua primeira casa em Londres com as amigas, em que nem sempre tudo corre bem, às house parties falhadas, ao dinheiro mal gasto, aos táxis desnecessários, às horas gastas em pubs, à quantidade de dates falhados e relações erradas. Quem nunca, gente, quem nunca.

Eu não cresci em Londres e foi-me muito útil perceber a educação dos ingleses para perceber porque são como são. A educação da Dolly foi em colégios só de raparigas, em que estas cresceram com a fantasia que os rapazes eram algo extraordinário e divinal. Se tivessem crescido como nós, tudo misturado, tinham-se percebido mais cedo que os rapazes da nossa idade são imaturos e a maior parte do sexo masculino muitas vezes não merece a nossa dedicação (sorry boys).

O facto de falar das suas sessões na psicóloga e tão importante nos dias de hoje, para percebermos que não há nada de errado em conversar com alguém profissional sobre as nossas ansiedades e medos.

Mas a razão por que escrevo esta review hoje é porque é Dia da Mulher e este livro devia de ser lido por todas as miúdas, raparigas e mulherzinhas para não se esquecerem que não há nada mais poderoso numa mulher do que ser dona de si própria e não precisar de um homem para se sentir feliz. Acho que a conclusão deste livro é que, desde que tenhamos gente à nossa volta que amamos, o resto vem por acréscimo. O livro acaba da melhor maneira possível, dizendo que a sua melhor história de amor é a com a sua melhor amiga, e eu acho isso uma beleza incrível. Eu tenho a sorte de ter várias histórias de amor, mesmo aquelas que não acabaram bem. Tenho a sorte de ter histórias de amor com amigas (e amigos) que tenho a certeza que nunca vão ter um fim feliz porque a palavra “fim” não existe no nosso vocabulário.

Neste dia das mulheres, quero mandar todo o amor do mundo às minhas melhores histórias de amor. A todas as minhas amigas com quem não estarei hoje, mas a quem eu abraço com tanta força quando vou embora, tentando, nesse abraço, englobar todos os dias perdidos em que não estamos juntas, e abafar toda a saudade. Vocês sabem quem são.

Obrigada Dolly por esta bíblia dos tempos modernos. Neste momento o livro anda a circular entre as minhas colegas, mas ter-lo-ei para sempre na minha mesinha de cabeceira, e enquanto o tiver sei que não estou sozinha nesta luta contra a ansiedade, neste medo de falhar, medo de não ser amada, de não estar a viver a vida ao máximo, neste medo de não ser boa o suficiente. Enquanto o tiver e o puder reler, saberei que não estou sozinha nesta constante aprendizagem do que é o amor, e que ninguém o merece mais do que nos próprias.

Feliz dia da mulher, meninas. Temos muita sorte em sermos esta raça extraordinária, complexa, fascinante. Amem-se umas às outras (como Deus vos amou. Lol. Brincadeirinha).

Como foi para mim estudar no IEJ, 10 anos depois

O IEJ era um sítio especial. E todos aqueles que lá estudaram sabem do que falo. Mais do que uma escola, foi o sítio onde passámos mais tempo durante oito anos (eu seis porque nunca me aguentei muito tempo num sítio).

Para aquela que foi a última geração antes dos telemóveis com dados e dos youtubers e instagramers, foi um espaço onde crescemos com rigor e exigência, mas também um sítio onde pudemos fazer todos os desportos que quisemos, onde tinhamos clubes de tudo e mais alguma coisa, onde tinhamos espaço para brincar.

Posso dizer com toda a certeza que todos aqueles que passaram por lá ainda hoje tem muito cuidado com o calçado que levam ao ginásio, depois de anos a passar pela ditadura da sapatilha limpa da Sónia.

Quando entrei para lá no meu 5º ano era uma miúda tímida (acreditem ou não) e com aquela cara de croma com óculos fundo de garrafa redondos, e por isso claro que fui alvo de miúdos parvos, ou como se diz hoje: de algum bullying.

Naquele ano, o que me valeu foi o meu primo Samuel, vários anos mais velho que eu e que me protegeu, à maneira dele. Comecei a passar os intervalos com ele, e tornei-me amiga dos amigos cool dele.

Quando tive de voltar à escola um ano mais tarde, depois daquele verão em que ele já não estava cá, as pessoas trataram-me com cuidado, e desviavam o assunto quando eu chegava. Ninguém teve coragem de me perguntar nada, apenas um miúdo que me veio dizer que eu devia de estar muito triste.

A escola, nesse meu 6º ano, decidiu fazer uma cerimónia em honra dele e de todos aqueles alunos que já não estavam connosco. Eram centenas de alunos, e dezenas de familiares. A minha família veio, e eu cheia de vergonha, subi as escadas tentando esconder-me na multidão, tentando ser só mais uma aluna. Mas a minha avó chamou-me e pediu para me sentar ao pé dela.

Acredito que tenha sido uma cerimónia muito bonita. A escolar estava lá em peso. Tenho ideia que foi um dia especial, e todos os que lá estiveram devem ter sentido isso. Mas eu… eu fechei-me no meu mundo e não me lembro de nada. Não vi nada, não ouvi ninguém, não pensei em nada. Sentei-me ali quieta, calada e distante, contando os minutos para aquilo acabar. E continuei assim quando à saída os alunos fizeram um corredor para os familiares passarem, e muitos choravam e eu ali em pânico, a sentir-me observada, como se todos tivessem à espera que eu (finalmente) quebrasse. Apesar de não ter estado lá (apenas fisicamente), guardo esta cerimónia como a coisa mais bonita que aquela escola já fez, e por isso o meu obrigada.

Quem me dera voltar atrás e viver aquilo tudo, e chorar e me abraçar aos meus amigos, e agradecer aos professors e alunos que organizaram aquilo com tanto carinho, pois não havia ninguém naquela escola que não adorasse o Samuel.

Para além disto, foi no IEJ que conheci alguns dos melhores amigos que tenho até hoje. Apesar de estar longe de todos, são aqueles que ficam para sempre, e quando estamos juntos é como se nada tivesse mudado.

Tantas horas passadas a dar voltas à escola, onde cada grupo tinha o seu spot reservado. Havia toda uma logística que todos respeitavam. Voltas e voltas e voltas que davamos naquela escola, não sei bem com que objectivo.

Ainda bem que vivemos nesta altura, longe dos telemóveis, porque já tinhamos distrações suficientes mas que envolviam estarmos uns com os outros. O lado pior é que não temos grandes fotos ou vídeos para recordar, mas os melhores momentos ficam para sempre.

Tenho a agradecer aos professores que ficaram amigos (principalmente a Paula), ao Diamantino pelo doutoramento em codrelhice, à Sónia pela habituação à higiene do calçado, à s funcionárias Clara e Filipa pela amizade e tratamento preferencial ao fazer-me as tostas mistas e a guardar-me os melhores bolos, e à melhor turma de sempre que conseguiu organizar o dia da dança, provavelmente o dia em que fui mais feliz na escola.

Uma escola tem de ser mais do que um sítio onde és obrigada a ir estudar, tal como hoje em dia o trabalho tem de ser mais do que uma obrigação para ganhar dinheiro.

Bicho irrequieto que sou foi incapaz de passar oito anos naquela escola, cercada por portões e câmaras e por todo o lado. No 11º ano fui-me embora e, apesar de não ter passado tanto tempo como gostaria com os meus amigos de lá, foi graças a esta mudança que estou onde estou agora. Tudo está conectado. Eu tinha de ir para a Batalha. Fez-me ver a vida por outra perspectiva, tive mais liberdade e soube lidar bem com ela, podia ter corrido pior mas os meus pais conhecem-me melhor que eu e sabiam que podiam confiar (sabiam que não me ia portar pior do que eles se portavam quando tinham a minha idade).

Apesar da Batalha ter sido a decisão certa para mim naquela altura, o IEJ foi o sítio onde cresci, onde começei a traçar a minha personalidade e a definir quem ia ser. Muito aconteceu depois disso mas a infância a mim cheira-me aos croissants do bar, à sopa da cantina, tem o som da campainha a tocar, do Diamantino a chamar-me Saulinha, do Pedro e dizer cheira a farófias, tem a imagem da Joana a ser fã dos Tokyo Hotel, do Jorge sempre a passar som, da Carolina a falar de malandrices, da Tatiana com o aparelho, da Simone a dizer-me para limpar os óculos, do Nuno adorar as aulas de filosofia, do Ochoa ler Fernando Pessoa para um monte de desinteressados, do professor Manel a dar-nos chapad(inhas) nas costas, da Aida pedir-nos para não falar na biblioteca, do professor jeitoso de voleibol onde andei só para o ver, do professor Moisés que era o professor mais fixe que aquela escola já teve, e de novo da Paula que conseguia ter aulas mega produtivas e ainda nos dar lições de vida, e ajudar-me a entrar na universidade.

Beijinhos com saudade a todos estes cromos. E por favor, se tiverem videos ou fotos partilhem!

Faz este ano uma década que me fui embora daquela escola, e não percebo como o tempo passa assim, mas fico feliz que os que interessam ficaram e estamos todo a curtir a vida.

2018

Bom ano maltinha!!!! Aqui estamos nós num novo ano, não é verdade?

A minha passagem de ano foi muito boa. Tranquila, com muita comida e bebida, com (bons) amigos, na nossa casinha. Fomos presenteados por vários fogos de artifício à nossa janela espalhados por todo o este Londrino, o que foi uma bela surpresa. Entrámos em 2018 da melhor maneira, e espero que seja assim o ano todo.

Imaginem que chegámos a casa do aeroporto às 2 da manhã depois de muitas horas de atraso do nosso voo, e às 5:30 levantámo-nos para ir ao mercado de peixe comprar marisco para a passagem de ano!

Nunca tinha ido ao Billingsgate Market mas desde que nos mudamos para aquela zona da cidade vivemos a 6 minutos de lá, então o difícil foi só mesmo levantar da cama. Ouvimos imensos portugueses por lá, prova de que somos povo que não consegue viver sem o seu peixe! Infelizmente é muito difícil encontrar peixe bom neste país, e se só formos aos supermercados normalmente só dá para comprar salmão ou uma dourada cara.

O mercado de Billingsgate oferece peixe fresco a partir das 4 da manhã às 8. Logo às 4 da manhã é a hora da malta dos restaurantes ir comprar grandes quantidades de peixe, por isso foi-nos recomendado ir às 6 da manhã que já era menos confusão. Acho que foi um pouco tarde demais visto que algumas coisas já tinham esgotado, mas em conversa com um senhor percebi que tinha sido mesmo de loucos nessa manhã visto que o mercado ia estar encerrado por vários dias. Mesmo assim, conseguimos comprar amêijoas, camarões, caranguejos, robalos, vieiras.. imensas coisas por preços bastante acessíveis. Vamos sem dúvida voltar lá mais vezes!

Resultado, no dia seguinte ainda comemos mais arroz de marisco que tinha sobrado e tivemos uma overdose de marisco nestes dias, que quase compensou para o resto do ano. Fizemos mesmo muitaaaa comida, ainda tínhamos sobremesas feitas por mim e pela minha amiga Erica, realmente um exagero mesmo à tuga.

(Post mais glamoroso alguma vez visto na internet. Umas tiram fotos a outfits, outras tiram fotos a peixe.)

Para este novo ano que já começou, não peço muito: saúde para mim e para os meus, trabalhinho, boas energias, e que o nascimento do meu priminho Duarte corra bem (estou ansiosa para o conhecer).

 

Um beijo grande a todos e continuem a passar por aqui 🙂

 

PS – Meti uma foto no FB com a mão pousada na barriga porque 1. Não sabia onde a pôr 2. Estava inchada do marisco. Resultado: só bocas de possível gravidez. Disclaimer: não estou grávida, não tenciono estar, nem nunca demonstrei nenhuma vontade/instinto maternal/ desejo para tal. A minha mãe não gosta que eu diga isto mas: Deus me livre! Obrigada por sugerirem que estou com pança na mesma, não me vou esquecer dessa.

Mas afinal que ando eu aqui a fazer?

Visto que hoje é o meu último dia no escritório este ano, decidi fazer uma compilação de algumas coisas que andei a fazer este ano profissionalmente. Vai ser bastante útil principalmente para os meus pais, que, coitados, nunca sabem do que estou a falar quando tento explicar de que escrevo eu. Sinto-me muito grata por poder fazer aquilo que sempre quis fazer, ainda por cima com uma malta porreira e num escritório onde há sempre doces, vendo a catedral de St Pauls pela minha janela.

Estas foram algumas das notícias mais lidas

Taditos, pensam que alguém os quer
Jessica sempre a pensar nos outros
Jessica (mais ou menos) por dentro da política dos avecs
Jessica a defender os amigos. Ninguém se mete com os tugas

 

Jessica a defender os amigos parte 2.

 

E estas foram algumas das reportagens que fiz para uma das nossas revistas

Pessoal que se formou em contabilidade e trabalha em empresas cool de música
Jessica a entrevistar gente importante
Jessica a escrever sobre cenas que não percebe

 

 

Esta foi fácil: escrever sobre onde gastar dinheiro. E ainda inclui uma foto do nosso Algarve